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Alabama Shakes, quatro jovens caipiras do sul dos Estados Unidos fazem a música mais moderna da atualidade!

11 de maio de 2015 0 comentário

AS-Divulgação 1

O novo disco do Alabama Shakes já nasceu como um dos álbuns mais aguardados de 2015, por isso, expectativas não faltaram para “Sound & Color”. Depois de três anos de sua estreia com “Boys & Girls” (um disco que, apesar de brilhante, não foi unânime em arrancar paixões e elogios, mas que, sem dúvida, era impossível passar despercebido; pois qualquer um com, no mínimo, trezentos discos de bom rock na orelha, viria ali tudo de melhor que poderia estar acontecendo no rock contemporâneo). O primeiro single, Don’t Wanna Fight (Não quero lutar) já foi um alerta metafórico para um grupo que dispensa bobagens; eles vão na veia!

Nascido no meio do furacão, garotos simples, mas rodeados de excelentes sons de raízes e de princípios inalterados, apesar do lixo “internético” atual, deixaram os velhos e os novos de olhos brilhantes e de queixos caídos, citando grooves históricos de uma maneira inédita; nos primeiros 25 segundos da música, que incluiu o fantástico grito solto pela vocalista Brittany Howard que invocava James Brown (nada seria mais óbvio para este novo disco). Se David Ghrol se tornou o mais impressionante arqueólogo e pesquisador da música americana, o Alabama Shakes é renascentista nato; é preciso saber o que significa o “Fame Studio” e o “Muscle Shoals Sound Studio” se quiser entender o som da banda e qual a importância de tudo isto na música contemporânea, mas como sempre digo: “música não vem com bula”; então, deixe para os chatos as definições e caia na gandaia deste som maravilhoso!

Por outro lado, como sou o chato de plantão, farei um pequeno parêntese para contar um pouco desta história maravilhosa.   O “FAME (Florença Alabama Music Enterprises) Studios” está localizado em Muscle Shoals, uma área ao norte do Alabama conhecida como “The Shoals”. Fora do caminho dos principais locais de gravação da indústria da música americana, FAME produziu um grande número de discos de sucesso e foi fundamental para o que veio a ser conhecido como o “Muscle Shoals Sound”. Fundado por Rick Hall, Billy Sherrill e Tom Stafford no final de 1950, o estúdio gravou o primeiro disco de sucesso da área de Muscle Shoals: “You Better Move On”, de Arthur Alexander. Com isso, a fama sobre a sonoridade de Muscle Shoals começou a se espalhar e outros tipos de músicos começaram a vir até o local para gravar. Felton Jarvis, produtor de Nashville, trouxe Tommy Roe e gravou o hit  “Everybody”; Bill Lowery, da Atlanta Music Publisher, também começou a trazer vários nomes e passaram pelo estúdio Aretha Franklin e Wilson Pickett .Os músicos que trabalharam no estúdio ficaram  conhecidos como o “Muscle Shoals Horns” e o “Muscle Shoals Rhythm Section” (The Swampers). Em 1969, logo após o estúdio assinar um contrato com a CBS Records, os “Swampers” deixaram o estúdio para fundar um rival, a “Muscle Shoals Sound Studio”. Esta disputa só melhorou a qualidade de ambos e ajudou para mitificar ainda mais a região. Nomes que vão de Bob Dylan a Paul Simon passaram por lá, só para citar alguns; existem coletâneas e um documentário sobre o local; vale a pesquisa, portanto: fica a dica!

Sound and Color

Alabama Shakes é uma banda inclassificável; formada em Athens, Alabama em 2009. O grupo é composto pela vocalista e guitarrista Brittany Howard, pelo guitarrista Heath Fogg, o baixista Zac Cockrell e o baterista Steve Johnson.  A banda recebeu três indicações para o Grammy Awards 2013, de “Melhor Performance de Rock” para o single “Hold On” e do prêmio de “Melhor Gravação” do seu primeiro álbum, Boys & Girls. Chegou ao desafio do segundo disco e tirou de letra, como fica provado em uma audição atenta.

Agora, vamos sentir Sound And Color, faixa a faixa:

  1. Sound and Color – A faixa-título que abre o álbum, facilita o ouvinte para os caminhos da “soul music” que o grupo irá percorrer; o inusitado vibrafone em contraponto com notáveis sessões sutis de cordas é genial.
  2. Don’t Wanna Fight- O primeiro single com sucesso instantâneo, empatia imediata com os velhos adoradores e veículo para angariar novos fãs. Uma introdução ao funk, soul e groove. Dispensa maiores comentários.
  3. Dunes – Traz guitarras pesadas e retoma a visão que os britânicos tinham do R&B, com sutis toques psicodélicos.
  4. Future People, os silêncios criados pelos arranjos da música soul de Memphis, são outra referência notável por aqui em Future People, o órgão Hammond dispara gotas de emoção.
  5. Gimme All Your Love – se uma banda de “Southern Rock” futurista fosse tocar no “Filmore” teria que soar assim em uma cena de um “cult movie”.
  6. This Feeling – Britany é a melhor cantora da atualidade; isto está consagrado e atestado neste disco; haverá controvérsias, mas a história vai provar a verdade!
  7. Guess Who – a importância da música negra nos anos 60 foi abafada por inúmeros fatores, mas o preconceito foi o pior deles; visionários foram incorporaram à sonoridade de Beatles a Lady Gaga. Hoje o que o mundo ouve é a música negra americana; Guess Who mosta as lições desta cartilha: “Vovó viu a uva”.
  8. The Greatest – o minimalismo que surgiu a partir do resgate feito por Jack White é atestado e reverenciado aqui; economia com grandeza e o domínio da modernidade. A prova definitiva do porque do Alabama ser tão genial!
  9. Shoegaze – Sutilezas do “Swamp Rock” presentes aqui; o espírito roqueiro sobressai e era a hora em que o Creedence entrava na seleção do bailinho!
  10. Miss You – O blues balada que poucos conhecem no terceiro milênio; um lamento digno de um Otis Redding, com direitos as explosões emocionais, que proporcionam um orgasmo catártico; biscoito finíssimo!
  11. Gemini – Para quem acha que o “trip hop” foi algo moderno, um exemplo de que o soul psicodélico foi uma das coisas mais belas criadas na música; hora de saber quem foram The Chambers Brothers, Sly & the Family Stone, Curtis Mayfield ou mesmo Jimi Hendrix.
  12. Over My Head – Um resumo desta viagem; a ousadia de criar um disco conceitual (mesmo sem ser) na era do single; essa é para deixar sem fôlego; os músicos visionários do céu que nos deixaram cedo, devem ter mandado seus arranjos não terminados aqui para os caipiras do Alabama; bem-vindos a uma nova era da música.

http://www.alabamashakes.com/

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