Relatos

Artilheiro sem GPS, sustos nos companheiros e algo mais

28 de abril de 2015 0 comentário
Foto: Antônio Gaudério/Folhapress

Foto: Antônio Gaudério/Folhapress

Fala pessoal, seguidores e apaixonados por viagens!

 

Hoje eu resolvi contar para vocês um pouco do meu início de carreira, com algumas passagens engraçadas e vivências que tive no São Paulo. Cheguei na cidade grande em 1994, vindo emprestado do XV de Jaú, time do interior do estado, para um mundo totalmente diferente. Foi tudo muito bacana desde o começo, só de chegar nessa cidade e viver ali no Morumbi já era uma experiência fantástica (naquela época não existiam as instalações de Cotia, onde fica a base atualmente).

 

Foi no São Paulo que eu tive a minha primeira experiência internacional. Eu nunca havia saído do Brasil e logo que cheguei no clube, fomos para uma expedição em Dallas, nos Estados Unidos, onde disputamos a Dallas Cup. Foi muito legal, uma experiência única poder jogar e ainda ser campeão como melhor jogador, podendo participar e fazer um gol na vitória contra o Milan, quando ganhamos por 2 a 1.

 

Eu cheguei em Dallas uma semana antes do torneio. Era minha primeira viagem para o exterior e eu tinha de 17 para 18 anos, sempre tive aquela curiosidade, desde criança, de chegar em um país diferente e conhecer uma cultura nova… Então saí para conhecer os restaurantes dos Estados Unidos, os parques, e passeei bastante. Uma curiosidade bacana foram os rodeios, eu como um garoto do interior, sempre conheci bastante sobre o assunto, então pude visitar e aproveitei para conhecer os famosos rodeios de Dallas, que tem uma cultura totalmente diferente do Brasil. Eles são muito fanáticos por isto lá no Texas. Quem realmente gosta de um bom rodeio, de uma música country, não deixe de conhecer Dallas.

 

Depois dessa viagem, em 1995, fui convocado para a Seleção Brasileira Sub-20 para disputar o Pan-Americano, que foi disputado em Mar Del Plata, na Argentina. Essa foi a minha primeira viagem sul-americana. Lá é uma cidade linda demais, que tem uma qualidade de vida e um clima maravilhosos. Infelizmente acabamos perdemos na final para a Argentina, mas mesmo assim ficou marcado para mim, por ser o meu primeiro destino na América do Sul e por me proporcionar conhecer uma cultura bem diferente da nossa. Depois disso fui para vários lugares, como Colômbia, Bolívia, Equador…

 

Bom, mas voltando ao assunto do início de carreira. Eu pude aprender muito no São Paulo, realmente foi um momento de fortalecimento de caráter e de profissionalismo. Com 18/19 anos eu já era titular do clube, onde fiquei durante cinco anos e meio. Foi muito importante o tempo em que morei nas instalações do São Paulo, pois tinha um convívio muito bom. O princípio de carreira foi com o grande Telê Santana, que me deu muitas dicas e muita disciplina, com os horários para chegar e sair, as regras que tinha dentro do clube, dentro da base, e isso foi muito bom para minha formação profissional. Lá fiquei muito amigo de atletas como o Fabiano, Dodô, Bordon, Sidney… E tinha o França, que é um dos maiores artilheiros da história do São Paulo. Morei dois anos no CT junto com ele e sempre demos muita risada.

 

Um dos episódios engraçados do França foi uma vez que ele foi a uma loja de um patrocinador de roupas, que ficava na Rua Clodomiro Amazonas, no Itaim. Só que não existia GPS e nem nada. Então o França saiu da Barra Funda (onde fica o CT do São Paulo) e foi sozinho para a loja. Só que no trajeto, ele fez um retorno errado e foi parar de volta lá na Barra Funda. Ele teve que fazer o caminho todo novamente, pois não sabia muito bem andar em São Paulo.

 

Da mesma forma que não tinha GPS, não existiam joguinhos, redes sociais, internet ou smarphones. Então nós tínhamos que nos virar nas concentrações para passar o tempo. Fazíamos brincadeiras mesmo. Naquela época tinha o Denilson e o Bordon, que eram caras muito engraçados. As vezes o Bordon comprava bichos empalhados para fazer pegadinhas com o pessoal. Uma vez nós fomos para Assunção, no Paraguai, e ele comprou uma aranha empalhada. O cara conseguiu assustar todo mundo do time.

 

As vezes ele se escondia dentro do armário com máscaras, com disfarce de monstro e essas coisas… Aí a gente pedia para algum novato no clube buscar uma chuteira ou algo e o Bordon já dava um baita susto, era uma espécie de batismo aos mais novos.

 

Foram momentos extraordinários com o França e todos os outros companheiros também, como o Marcelinho Paraíba, o Álvaro, Fábio Aurélio, Edu… Foi uma grande geração. O São Paulo não ganhou muitos títulos, apenas dois Paulistas, mas foi uma época de formação de grandes jogadores.

 

E em relação às viagens, realmente é muito diferente quando você está em início de carreira, pois tudo é muito novo, você não quer nem saber se vai ficar quatro ou cinco horas esperando uma conexão, ou quanto tempo vai durar o seu voo, se vai de classe econômica ou business. É sempre uma experiência diferente, em busca das novidades. Você acaba conhecendo uma nova realidade, novas culturas, novos povos, novas culinárias e bebidas, novos lugares… E isto trás uma experiência cultural fantástica para aqueles que levam o futebol a sério e procuram aprender e sugar o máximo de informações e coisas novas e boas para a vida. Então a dica que eu deixo é para aproveitar sempre, buscar conhecimento e não deixar passar este tipo de oportunidades, pois viajar é bom demais, mas aprender nestas viagens é melhor ainda!

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