Cultura

Cássio Scapin e Sérgio Mamberti: 20 anos de magia

10 de novembro de 2015 0 comentário

Acabaram as desculpas para visitar a Cidade Maravilhosa.

Depois do sucesso absoluto de público e crítica no Museu de Arte e Som (MIS), em São Paulo, Castelo Rá-Tim-Bum: a exposição desembarca no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, tendo a Avianca Brasil como sua transportadora oficial. A exposição fica em cartaz até 11 de janeiro de 2016 e a entrada é franca.

Tanto o programa como seus personagens dispensam apresentações. Conversamos com os atores Cássio Scapin e Sérgio Mamberti, famosos por encantarem gerações ao interpretarem, respectivamente, o bruxinho Nino e o mago Dr. Victor. Confira a conversa.

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Foto: Letícia Godoy/MIS

Já faz quase 20 anos que o Castelo Rá-Tim-Bum acabou e, ainda assim, a exposição foi sucesso absoluto em São Paulo e, agora, chega ao Rio. O que passa pela sua cabeça ao ver que você é parte fundamental de uma obra atemporal como essa?

Sergio Mamberti: A emoção é sempre bem intensa, só em realizar que uma obra como o Castelo Rá-Tim-Bum tenha com o passar do tempo, adquirido esse caráter paradoxalmente atemporal, fazendo parte do imaginário nacional e da memória afetiva de tantas gerações de brasileiros.

Cássio Scapin: É algo muito estranho pensar e ver que já faço parte de uma história da cultura do nosso país e de uma maneira tão positiva! É uma mistura de alegria, realização e responsabilidade.

 

Na opinião de vocês, qual era o diferencial do Castelo Rá-Tim-Bum? O que acham que falta no conteúdo infantil nacional feito hoje em dia para televisão para outro programa faça sucesso como vocês fizeram?

Sergio Mamberti: O diferencial do Castelo Rá-Tim-Bum, foi desde sua idealização até o seu formato final, o respeito à cidadania da criança e a excelente qualidade artística e educacional de sua proposta.

Não surgiu até hoje, nem houve antes, sem falsa modéstia, nenhuma obra dirigida à criança, no segmento audiovisual brasileiro, comparável ao Castelo.

A maior parte das realizações nesse campo, infelizmente, tem sido comprometida por um viés mercadológico, que restringe e empobrece seu autentico caráter de respeito ao universo criativo da criança, daí sua atualidade até os dias de hoje.

Cássio Scapin: O diferencial foi o absoluto envolvimento afetivo de todos os artistas que contribuíram com esse projeto. O que falta hoje é a despretensão, é parar de almejar o tiro certo, é parar de tentar descobrir uma formula para atingir e satisfazer o mercado.

 

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 Foto: Letícia Godoy/MIS

Na época das gravações do Castelo, qual momento vocês consideram como o mais marcante? Por quê?

Sergio Mamberti: As gravações tiveram sempre uma característica autoral, presente no trabalho de todos que participaram do processo. Eu diria que foi a paixão e o talento de cada um, se sobrepondo muitas vezes à precariedade de recursos tecnológicos, que privilegiou o desenvolvimento de uma linguagem artesanal, conferindo à obra essa qualidade autoral tão acentuada e tão criativa.

Cássio Scapin: Eu não sei dizer, foram tantos acontecimentos, tantas ocasiões, durante o projeto. Alegres e tristes, de muito prazer e às vezes muito difíceis. Sempre de muito trabalho árduo! Que não saberia destacar um!

 

Até hoje quando alguém fala de vocês, a reação geralmente é “Ah, o Nino/Tio Victor!”. Como é, depois de tanto tempo, ainda estar tão conectado com os personagens?

Cássio Scapin: Acho ótimo o carinho das pessoas. Sempre sou recebido com um grande carinho, um sorriso aberto, olhos doces de gente que imediatamente vira criança ou é agradecida por termos feito parte da infância de um filho! Sou alguém onde as pessoas identificam um referencial de conforto e coisas boas por causa do personagem. Isso é uma grande responsabilidade! Mas é sempre bom.

Sergio Mamberti: A permanência da relação entre o mago Dr. Victor, que integrava ciência e arte, conferindo um sentido de encantamento e magia, através dos ensinamentos que transmitia ao jovem sobrinho Nino e seus amigos, fez com que esses personagens adquirissem uma dimensão de ícones desses arquétipos, unificando diferentes gerações. É como se o Dr.Victor tivesse se tornado meu alter ego, uma espécie de dupla personalidade, para sempre.

É muito gratificante e me orgulho muito desse resultado, como uma contribuição pessoal à formação de inúmeras gerações de brasileiros.

 

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 Foto: Letícia Godoy/MIS

Quais foram as principais inspirações para compor os seus personagens?

Cássio Scapin: Na minha própria infância, sempre meio internado dentro de casa. Alguns personagens de seriados que eu gostava, alguns desenhos animados que gostava de ver, atores cômicos, os de cinema mudo… Foi tanta coisa misturada! Muito difuso na minha memória já fiz tantas coisas depois…

Sergio Mamberti: Inicialmente, pela proposta feita pelos autores da série, senti que seria importante para as crianças, que apesar do Dr. Victor pertencer a outra geração e de ter as características de um mago, elas pudessem reconhecer nele, alguém bem próximo de sua realidade cotidiana: um pai, um avô, um tio, um velho amigo com quem contassem como parceiro de aventuras e ao mesmo tempo  alguém que lhes revelasse conhecimentos e princípios, preparando-os para enfrentar a vida adulta.

Procurei também, acrescentar à essa receita, imagens de alguns personagens que me encantaram durante a infância: o mago do Mágico de Oz, o velho Gepeto, artesão e criador de Pinóquio o boneco de madeira com alma de gente e a sabedoria doméstica de D. Benta no Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Mas sobretudo, procurei passar para eles, a ideia de que é através do lúdico e  dando asas à imaginação, que é no jogo e na brincadeira, que surgem e se recriam os sonhos que povoam nossa existência e nos transformam em verdadeiros cidadãos.

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