DestinosInternacionaisRelatos

Com vocês, Maurício Meirelles. E a Tailândia.

2 de junho de 2014 3 Comentários

Fotos Meirelles

É com muita honra que estreio minha coluna por aqui. Para quem não sabe, eu sou o Maurício Meirelles, comediante e repórter do CQC. Na minha vida o que eu mais fiz foi viajar. Seja a turismo ou a trabalho, eu tive algumas experiências que gostaria de dividir com vocês. No caso, não as boas. Isso você encontra em qualquer INSTAGRAM.  Meu objetivo aqui é mostrar coisas bizarras pela qual já passei.

 

Dedico este primeiro texto ao lugar que mais gostei de ter conhecido: Tailândia.

Lugar de praias maravilhosas, baladas exóticas e preços muito baratos. Até demais.

 

Assim que cheguei em Phuket, meu primeiro destino, resolvi guardar as minhas bagagens e ir direto com a minha esposa para o centro da cidade. Num inglês sofrível perguntei para a recepcionista do hotel:

 

-Quanto fica daqui do hotel para o centro da cidade.

 

Ela responde:

 

-70 dólares.

 

Eu na hora achei meio caro e, inocentemente, perguntei:

-Caramba, achei que ia ser uns 20.

 

Ela ouviu e respondeu:

 

-Okay, pode ser.

 

E foi isso. Mudou a tarifa. Muito fácil. De 70 pra 20. Acho que se eu falasse “nossa, achei que vocês iam dar dinheiro pra gente”, eles iriam dar.

 

Na hora já pensei estar no melhor lugar do mundo. Já pensei em mais tarde comprar um apartamento e falar: “então, só to com 160 dólares na carteira, acha que rola?”.

 

To ali matutando até que chega nosso carro. Não, não era um taxi. Era uma Hilux prata, linda. E aí eu entendi tudo.

 

É comum na Tailândia as pessoas ligarem para seus amigos darem carona para turistas. A recepcionista fez mais ou menos isso. Deve ter ligado para um amigo dela e ofereceu 20 dólares pra eles nos levarem até o centro. E eu ali pensando: com 20 dólares veio uma Hilux. Se eu topasse os 70 dólares ia chegar o quê? Um jato? Enfim.

 

Só que ao mesmo tempo, bate uma insegurança. Porque você não está num táxi. Você está no carro de um desconhecido. Se ele me levar para o mato e me violentar, são os piores 20 dólares que já investi.

 

E daí acontece algo bem bizarro. Estou com a minha esposa escutando um barulho horrível. Um chiado como se o cara estivesse ouvindo uma rádio AM direto do Brasil. Som chato, incomodando. Perguntei, obviamente com receio, se ele poderia desligar o rádio. E ele me responde que não tem um.

 

Quando olhamos para trás, vimos que o chiado vinha de um bebê, de 2 anos, que estava dormindo no PORTA-MALAS.  Sim, com o pior ronco do mundo. Ou o moleque tinha a pior asma do planeta ou fumava o dia todo. Era insuportável.

E ali eu entendi a Tailândia.  O cara devia estar levando o filho para o hospital, quando recebeu uma ligação para levar dois estranhos, em seu carro, pra ganhar 20 dólares. Ele então não pensou duas vezes: conforto pros passageiros? Então bora tirar a criança do banco e coloca-lo no porta-malas.

 

Acho que tinha a ver com o preço que pagamos. Se a gente oferecesse 30 dólares, ele facilmente já teria jogado o bebê pra fora do carro. Se fossem 10 dólares, minha mulher estaria amamentando a criança.

 

Só sei que assim que chegamos no destino, ele olhou pra mim e disse:

– Ficou 50 dólares.

 

E eu paguei sem questionar.  Minha mulher pergunta:

 

-Mau, não era 20 dólares o combinado?

 

E eu na hora não pensei duas vezes:

– Amor, se por 20 dólares ele tá quase matando o próprio filho, o que ele seria capaz de fazer por mais 30?  E a gente nem é da família dele.

 

E ali eu entendi o espírito tailandês. Se ele me falasse:

– Ficou 870 dólares.

 

Eu iria falar:

-Okay, pode ser.

 

Gostei muito da Tailândia.

Veja Também

3 Comentários

Sandra Vieira 2 de junho de 2014 at 17:54

Parabéns pelo texto. Muito lega7l.

Responder
Jéssica Grimais 2 de junho de 2014 at 22:27

Adoreeeei! Mas confesso que fiquei com receio de conhecer a Tailândia agora… Hehehe.
Parabéns Maurício, vc é show! Que sua coluna faça tanto sucesso quanto todas outras coisas q vc faz! Não vou perder uma!

Responder
Diego Vasconcelos 23 de abril de 2015 at 17:16

Nossa, muito bom e texto, ri demais com essa história você consegue dar um toque de humor em algo que, para os tailandeses é uma questão de sobrevivência (deixar o filho quase morrendo, para ganhar uns trocados como taxista).

Parabéns

Responder