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Como não rir com Paulo Gustavo

8 de outubro de 2013 0 comentário

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De bermuda, camiseta básica e um minuto antes do previsto, eis que surge Paulo Gustavo no aconchegante Hotel La Suite, no Rio de Janeiro, já soltando a primeira piada do dia: “Fala que você nunca viu um ator tão pontual em toda sua vida. E olha que eu vim de Niterói!”. O jeito engraçado acompanha o ator e humorista desde pequeno. Em casa, bastava ter um pouco de silêncio para ele começar o seu show. “Imitava a minha vó e tios o tempo todo. Tinha certeza que iria trabalhar com artes um dia”, lembra. Essa certeza o fez mudar-se para Nova York após completar 20 anos. A ideia era estudar sapateado na Broadway e começar a carreia de maneira grandiosa. “Sempre fui assim, de pensar grande. Sou muito corajoso”, completa.

 

Mas, na prática, não foi exatamente o que aconteceu. Para pagar as aulas, Paulo trabalhava como garçom em Nova Jersey, cidade ao lado de Nova York, mas morava no Queens, bairro que fica do lado oposto da cidade. Trabalhava o dia todo e mal sobrava tempo para se dedicar aos estudos. “Resolvi voltar porque senti que aquilo não iria dar certo, foi quando eu entrei na CAL e tudo mudou”. Paulo entrou para a Casa de Artes de Laranjeiras – uma das mais conceituadas escolas de artes do Rio. Lá conheceu Fábio Porchat, que escreveu o espetáculo “Infraturas”, com direção de Malu Valle, primeira peça a lhe dar uma certa visibilidade.

 

Foi então que resolveu escrever o monólogo “Minha Mãe é uma peça”. Na época, seu pai ofereceu a venda do carro da família para que o sonho do filho fosse realizado. Não foi preciso, mas os pais ajudaram com algumas folhas de cheque e, em 2005, ele estreou o espetáculo em um teatro de 100 lugares no Rio. Já na segunda semana, os ingressos começaram a se esgotar rapidamente e ele precisou abrir sessões de terça a domingo. Depois da primeira temporada de 9 meses, o ator estreou em um teatro de 400 lugares, ficando em cartaz por dois anos até se apresentar para 3 mil pessoas em uma casa de shows ainda no Rio de Janeiro.

 

A peça, que está em seu sétimo ano, já esteve em cartaz em São Paulo, nas principais capitais e agora está em turnê pelo Brasil, levando em média 5 mil pessoas por final de semana ao teatro. Devido ao enorme sucesso, o espetáculo ganhou este ano uma versão para o cinema e os números são ainda mais expressivos. “Minha Mãe é uma peça – o filme” ultrapassou a marca de 4,5 milhões de espectadores e arrecadou cerca de R$ 50 milhões contra os R$ 5 milhões gastos para produzi-lo. O filme entrou para um seleto ranking com apenas cinco filmes brasileiros que conseguiram atrair este número de pessoas às telonas desde a retomada do cinema brasileiro, em 1995.

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Além do espetáculo e do filme, Paulo Gustavo pode ser visto no programa semanal “220 volts”, e de segunda a sexta-feira em “Vai que Cola” – ambos no Multishow, canal pelo qual possui total amor e dedicação. “Sou extremamente grato ao Multishow, eles acreditaram realmente em mim”, fala.

 

Mesmo com o indiscutível sucesso e superexposição, Paulo não leva a fama muito a sério. “Não acredito muito nesta loucura toda, é só um trabalho. Tenho a sorte de me realizar fazendo o que gosto, mas é só isso. Não sou gênio, a gente não é nada”, completa. Para ele, o sucesso veio gradativamente, não foi da noite para o dia. Deu tempo de ir se acostumando com a ideia sem deixar que isso afetasse seus valores. “Até um tempo atrás, eu estava naquele momento da carreira em que as pessoas olhavam para mim e se perguntavam: esse cara aí é o Paulo Gustavo ou o porteiro do meu prédio?”, ironiza.

 

Ele atribui à criação dos seus pais, os valores que aprendeu e leva para sua vida. “Foram eles que me ensinaram a ser íntegro e honesto. Minha mãe apontava quando eu estava errado na frente dos outros, se eu não dividisse o brinquedo com meus amigos, ninguém brincava”, explica Paulo, que tem em sua mãe a maior inspiração para o seu trabalho. Embora “Minha Mãe é uma peça” não seja uma biografia, a Dona Hermínia do espetáculo muito se parece com sua mãe, principalmente nas relações com os filhos. “Minha mãe sempre foi assim de falar alto, gritar, dar bronca e ao mesmo tempo amar tanto”, conclui.

 

Paulo Gustavo não se aproveita da fama para fazer pedidos dignos de um astro do humor. “No meu camarim não peço nada, primeiro porque sou careca, não preciso de cabeleireiro. A minha roupa eu mesmo levo porque sei o que fica bom em mim. Para comer, somente café, chá e uva. Até porque se eu comer antes do espetáculo minha barriga sobe até a cabeça, fico mais gordo do que eu já sou e nunca mais consigo fazer o espetáculo”, brinca ele, admitindo estar sempre insatisfeito com o corpo. “Não tenho tempo de malhar muito e já fiz até lipo. Mas tenho certeza que a gordurinha da barriga se escondeu na hora da cirurgia e só voltou ao seu lugar de origem quando terminou. Ela deve ter comemorado: ufa, essa foi por pouco!”, teoriza.

 

Quando não está em seu ritmo frenético de trabalho, Paulo Gustavo gosta de viajar de volta para sua casa em Niterói e curtir a Praia de Itacoatiara. O ator mora com os pais em uma casa recém adquirida com espaço suficiente para reunir a família e os amigos. “Gosto de fazer viagens curtas. A maior de todas foi para Nova York onde fiquei 11 dias, mas prefiro viagens de até cinco dias e em lugares agitados, adoro gente” completa. Mas agora ele estará sem tempo para descansar, pois está em turnê com “Hiperativo” e “Minha Mãe é uma peça” por todo o Brasil até o final do ano. Em paralelo, grava um novo programa para o Multishow, que estreia em abril do ano que vem, e ainda arranja tempo para escrever, em parceria com Fil Braz, o roteiro da continuação de “Minha Mãe é uma peça – o filme”.

 

As peças “Hiperativo” e “Minha Mãe é uma peça” estão em turnê pelo Brasil e são mais duas pelas patrocinadas pela Avianca!

Para saber mais sobre a vida e a carreira do Paulo Gustavo, não deixe de acompanhar a entrevista que ele deu para a nossa revista.

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