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Gastronomia de Guerra

12 de outubro de 2013 0 comentário
Conflict

foto: http://conflictkitchen.org/#

Viajando pelo mundo você acaba se deparando com detalhes curiosos de diferentes culturas.  E em poucas áreas as inusitadas diferenças entre culturas diferentes se manifesta de forma tão divertida quanto na culinária. Seja experimentando esquisitices (para nós) como um escorpião frito ao molho shoyo nas ruas de Pequim, cérebro de macacão marinado no limão em algum canto da África ou a sopa de cachorro da Coreia do Sul, ou delícias (de novo, para nosso paladar ocidental) como parrillas do Uruguai, sashimis direto do Japão ou  o típico e delicioso feijãozinho brasileiro viajar por pratos diferentes é uma maneira bem eficaz de se embrenhar nos costumes e características de um país distante. Mas, às vezes, a criatividade e  o exótico se cruzam promovendo uma viagem gastronômica bastante peculiar.

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foto: http://conflictkitchen.org/#

A Conflict Kitchen (Cozinha de Conflito) é um restaurante em Pittsburgh que resolveu se especializar na culinária de países que estão em conflito ou tem problemas políticos com os Estados Unidos. A cada dois meses um país é o foco do cardápio. Cuba, Afeganistão, Irã e Venezuela já foram os “alvos” (sem trocadilho, por favor) do chef e sua equipe.  Ropa Vieja (carne desfiada), Lechon Asado (leitão) de Cuba. Bolani e Adas (massa de pão com legumes, cebola, alho) prato típico do Afeganistão fez sucesso. Kebab com chá de menta ao estilo iraniano compôs o cardápio por mais de um mês. Bolo de milho com queijo se destacou entre os itens do cardápio da Venezuela. Tirando a Venezuela, já passei um bom tempo sobrevivendo (e me deliciando) com as iguarias de todos os países da Conflict Kitchen.  E afirmo: tomara que a ideia se espalhe em franquias pelo mundo todo!

conflict 4 capa

foto: http://conflictkitchen.org/#

O mais legal da inovadora proposta que vem agradando críticos, imprensa e clientes é que juntamente com os atrativos criados para encher a pança, também é servido um variado cardápio de atrações culturais. São palestras, debates e exposições sobre o país da ocasião. Uma maneira de fazer com que o público americano, que acaba conhecendo um pouco mais de geografia apenas quando seu país se envolve em guerras, acabe conhecendo e desenvolvendo uma relação um pouco mais real com esses países. Uma maneira criativa e deliciosa de descobrir que culturas retratadas como estranhas inimigas do american dream invariavelmente tem muito a oferecer em termos de cultura, história, humanismo e, claro, iguarias pra “matar” apenas a fome.

 

André Fran é um dos criadores/apresentadores da série de TV “Não Conta lá em Casa” (Multishow), onde quatro amigos encaram os roteiros mais polêmicos do planeta e semanalmente escreve aqui no nosso blog!

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