Relatos

O que aprendi viajando

6 de dezembro de 2013 0 comentário

Torcida AF

Não sei se algum pensador famoso já havia cunhado a frase título desse texto. Se não, ponto pra mim. Mas é a mais pura verdade. Algo que eu já tinha concluído após tantas experiências enriquecedoras estrada a fora (muitas delas narradas aqui no Blog da Avianca) e que voltei a considerar agora que pensava e um tema para a coluna. Decidi que ia escrever as principais lições que aprendi viajando. Parei na número 27. O que era para ser uma página de Word estava se tornando um tratado filosófico. Minha lista ia desde “Roer as unhas”, algo altamente necessário quando você tem sua mini-tesourinha barrada em uma imigração no início de uma viagem de mais de um mês pelo deserto; até “Estamos todos conectados”, algo extremamente importante ao perceber que apesar da magnitude da causa há sempre alguém disposto a lutar ao seu lado para reparar uma injustiça.

 

Para não desistir do texto e seguir por uma direção editorial menos nobre, decidi listar apenas aquelas lições realmente e efetivamente emblemáticas. Capazes de mudar a vida e alma do viajante independente de credo, cor, time do coração ou destino de férias.

Torcida Capa AF

 

Nada é simplesmente preto ou branco.

Diferente dos filmes do He-Man, não existem vilões simplesmente maus e tampouco heróis unicamente bons. Todos temos defeitos, desejos, medos… Muitas vezes decisões absurdas e terríveis são tomadas em nome de um bem maior. Ou de uma vantagem pouco óbvia. Seja isso certo ou errado. Precisamos tentar enxergar além da obviedade, e através da enorme teia de conectividade. E, com base em nosso julgamento do que é certo ou errado, tomar a decisão ou realizar a análise correta.

 

Questione tudo

Essa ta relacionada diretamente com a lição acima. Pois é, se nada é o que parece (quase sempre) é nosso dever moral e obrigação questionar tudo. O status-quo, raramente não atende algum interesse. Se ele é bom ou mau, cabe a nós descobrirmos.

 

Somos todos iguais

Sim, parece óbvio constatar que pretos, índios, asiáticos, gays, velhos, jovens, budistas, palestinos, judeus, empresários, hippies, punks… somos todos iguais em nossa essência. Todos queremos encontrar felicidade ou, se essa realmente não é um destino, queremos ao menos fazer de nossa jornada por aqui o mais prazerosa e significativa o possível.  Mas talvez seja difícil perceber isso quando somos inundados com notícias de fanáticos terroristas de turbantes, ou exóticas tribos e suas danças sem sentido, ou da greve de fome de presos políticos ou a obesidade mórbida de consumistas exacerbados. Apenas quando você deixa o seu “mundinho” e conhece a fundo um desses “personagens” é que eles passam a ser reais. E aí, a identificação é inevitável. Sim, por mais estranho que pareça a primeira vista, por baixo de cortes de cabelo, pinturas de guerra, roupas coloridas, armas e terços: somos todos um só.

 

André Fran é um dos apresentadores do programa “Não Conta lá em Casa” cuja temporada em Israel e Palestina vai ao ar toda 5a feira às 21h30 no canal Multishow.

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