Relatos

O Que eu Conheci com a Bola

20 de junho de 2014 0 comentário

Foto Jamelli

Comecei minha carreira como jogador de futsal no Juventus, com 5 anos de idade. Desde esta época me lembro de falar que meu sonho era ser jogador futebol, jogar na seleção, ser contratado por um time europeu e fazer o gol na final da Olimpíada, trazendo a primeira medalha de Ouro no futebol para o Brasil.
Consegui realizar parte deste sonho, joguei na seleção, no Japão, na Espanha e na França, além de participar do time da Olimpíada de Atlanta. Hoje, depois de me aposentar, vejo que o futebol me deu muito mais do que isso, ele me deu a oportunidade de conhecer outras culturas, pessoas, lugares e países.

Joguei profissionalmente 17 anos, dos 16 aos 33 e tive a oportunidade de conhecer os cinco continentes. Minha primeira viagem internacional foi como jogador do Corinthians. Com 13 anos, fui para o Perú e fiquei impressionado. Lá, experimentei o ceviche – prato típico peruano feito a base de peixe – conheci a cultura Inca, vários sítios arqueológicos, com destaque para o Huaca Puclana que esta localizada na parte nobre da cidade em Miraflores. Outro ponto imperdível são as catacumbas que estão localizadas no subsolo da Basílica e Convento de São Francisco no centro da cidade.·.

Depois, já jogando pelo São Paulo fizemos uma excursão para a China ,em 1994, quando a China ainda era um país muito fechado. Adorei Hong Kong e fiquei impressionado com seu comércio, modernidade e movimentação de pessoas. Um passeio que não se pode deixar de fazer é a visita ao ponto mais alto da cidade “O Pico” ou para eles “The Peak”. Jogamos contra a seleção do Sul da China no moderno estádio de Hong Kong e para nossa surpresa a seleção era muito boa! Mas sem dúvida, o que mais tivemos dificuldade foi com o idioma e com a gastronomia. Era difícil falar inglês com os chineses e alguns deles ficavam até com medo de se aproximar.  Tivemos passagens curiosas nesta viagem, em Hong Kong a culinária era muito parecida com a nossa aqui no ocidente, comida italiana, fast food, chocolate e etc… Mas quando você começa a ir um pouco mais para o interior a situação  é outra.
Uma ocasião que me lembro bem foi quando estávamos em um banquete de lançamento e promoção do jogo em um salão luxuoso, e começaram a nos servir vários pratos em bandejas tampadas. Quando eles levantavam as tampas destes pratos, era sempre uma surpresa. Eram vários pratos exóticos, tinha cérebro de macaco, gafanhoto, uma sopa que tinha alguma coisa viva dentro (até hoje não sei o que era) e a maioria de nós rejeitava e não comia. Foi ai que o intérprete se aproximou e comentou que era uma ofensa para eles não comermos o que eles estavam oferecendo e que nós teríamos que nos esforçar e comer o que estava sendo servido. Foi difícil, mas no final conseguimos agrada-los.

Um pouco depois dessa conversa com o tradutor veio um prato que estava com um aspecto muito bom, ficamos empolgados, era uma carne com um molho marrom bem saboroso parecido com o nosso molho madeira e tinha realmente um sabor muito gostoso, comemos tudo e pedimos para repetir, nos fartamos de comer aquela carne e quando já estávamos indo embora resolvemos perguntar ao garçom que carne era aquela no nosso “chinês”. Falamos Muuuuuu e o garçom balançou a cabeça negativamente, depois fizemos Méééééé e o garçom novamente balançou a cabeça dizendo que não, foi quando o garçom que estava ao lado disse: AuAuAuAu todos nós ficamos com um nó no estômago e fomos embora pensando nos nossos bichinhos de estimação que tinham ficado no Brasil.

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