Culturais

Petiscos Musicais

20 de abril de 2015 0 comentário

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Há tempos venho falando sobre a necessidade de ritualização em relação a musica, não bem a musica em si, mas o seu suporte, ou seja, aquilo onde ela esta gravada! Do acetato ao cd e hoje um mero arquivo digital. Apocalípticos confundiram o fim do suporte “físico” com o fim da musica, mas todas estas discussões são intensas e não dá para si falar nisso em poucas palavras. Na verdade quero dizer que a indústria do disco (em alguns países) vem se esforçando em resgatar estas que chama ritualizações de alguns grandes discos que continham grandes musicas do mundo pop.

Por aqui a gravadora “Music Brokers”  é um exemplo disto, lançando vários petiscos para atrair, primeiro, os antigos adoradores e também  as novas gerações que costumam ler a história com a atenção necessária.

Veja o exemplo do  grupo The Doors que  é uma das bandas mais complexas e indispensáveis da historia do rock; e tornou-se não só uma banda seminal do gênero, mas também uma fonte de inspiração para inúmeros artistas. No entanto, apesar de sempre envolta em uma mítica reforçada pela imagem icônica de seu vocalista Jim Morrison que tinha toneladas de carisma, é, sem duvida, um grupo muito mais falado do que ouvido nas últimas décadas. Apesar de alguns hits musicais mundiais, a obra densa e extensa da banda é pouco conhecida e principalmente entendida.

Por isso mesmo a coletânea THE MANY FACES OF THE DOORS é uma oportunidade única de destrinchar a complexa filosofia do The Doors. Dividida em três CDs, esta compilação traz as chaves para abrir as portas da percepção criadas por esta banda incrível; entramos no mundo secreto da banda, com faixas raras, projetos paralelos de seus membros, remakes e também, algo interessantíssimo e raro neste tipo de coletânea: as raízes musicais do grupo. É um álbum único, que já está sendo elogiado pelos exigentes fãs do grupo em todo o mundo.

A coletânea traz uma arte de capa belíssima e que sintetiza o espírito do disco; uma seleção de músicas que levou alguns anos de trabalho para ser reunida com o objetivo de garantir a coerência da obra e um trabalho de remasterizarão para garantir um som de qualidade.

O primeiro CD contém projetos dos membros da banda: Ray Manzarek (um dos mais complexos tecladistas do rock), Robbie Krieger (o guitarrista virtuoso e de estilo único que compôs o maior hit da banda “Light My Fire”), o baterista John Densmore que mostra seu lado jazzístico e a melhor surpresa que é a presença do filho de Jim Morrison, Cliff, que sem dúvida herdou a voz do pai; é ouvir para crer!

O segundo CD é de covers e vai se tornando um álbum divertido e fácil ouvir, trazendo uma série de surpresas maravilhosas. Como exemplo, a dupla Raveonettes, transforma “The End” em algo curto e radiofônico sem mutilar a densidade original, além das contribuições de mitos do rock como Ian Gillan (vocalista do Deep Purple) e Rick Wakeman fazendo juntos “Light My Fire”, ou Edgar Winter com a belíssima “Crystal Ship”.

No CD 3, as raízes da banda; um álbum de originais de blues e R&B que fizeram a formação dos membros do The Doors; algo belo e temporal para reforçar que o blues é origem de tudo que ouvimos na música pop contemporânea. Os nomes presentes neste terceiro disco dispensam apresentações: Howlin Wolf, Muddy Waters, Robert Johnson, Billie Holiday e John Lee Hooker que ultrapassam a definição de músicos; são pilares que fazem parte de qualquer construção musical de qualidade.

THE MANY FACES OF THE DOORS não é só um disco, é um caminho de aprendizado e surpresa, uma descoberta ou um dicionário para entender a complexa música do grupo The Doors.

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