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Petiscos Musicais

20 de Abril de 2015 0 comentário

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Há tempos venho falando sobre a necessidade de ritualização em relação a musica, não bem a musica em si, mas o seu suporte, ou seja, aquilo onde ela esta gravada! Do acetato ao cd e hoje um mero arquivo digital. Apocalípticos confundiram o fim do suporte “físico” com o fim da musica, mas todas estas discussões são intensas e não dá para si falar nisso em poucas palavras. Na verdade quero dizer que a indústria do disco (em alguns países) vem se esforçando em resgatar estas que chama ritualizações de alguns grandes discos que continham grandes musicas do mundo pop.

Por aqui a gravadora “Music Brokers”  é um exemplo disto, lançando vários petiscos para atrair, primeiro, os antigos adoradores e também  as novas gerações que costumam ler a história com a atenção necessária.

Veja o exemplo do  grupo The Doors que  é uma das bandas mais complexas e indispensáveis da historia do rock; e tornou-se não só uma banda seminal do gênero, mas também uma fonte de inspiração para inúmeros artistas. No entanto, apesar de sempre envolta em uma mítica reforçada pela imagem icônica de seu vocalista Jim Morrison que tinha toneladas de carisma, é, sem duvida, um grupo muito mais falado do que ouvido nas últimas décadas. Apesar de alguns hits musicais mundiais, a obra densa e extensa da banda é pouco conhecida e principalmente entendida.

Por isso mesmo a coletânea THE MANY FACES OF THE DOORS é uma oportunidade única de destrinchar a complexa filosofia do The Doors. Dividida em três CDs, esta compilação traz as chaves para abrir as portas da percepção criadas por esta banda incrível; entramos no mundo secreto da banda, com faixas raras, projetos paralelos de seus membros, remakes e também, algo interessantíssimo e raro neste tipo de coletânea: as raízes musicais do grupo. É um álbum único, que já está sendo elogiado pelos exigentes fãs do grupo em todo o mundo.

A coletânea traz uma arte de capa belíssima e que sintetiza o espírito do disco; uma seleção de músicas que levou alguns anos de trabalho para ser reunida com o objetivo de garantir a coerência da obra e um trabalho de remasterizarão para garantir um som de qualidade.

O primeiro CD contém projetos dos membros da banda: Ray Manzarek (um dos mais complexos tecladistas do rock), Robbie Krieger (o guitarrista virtuoso e de estilo único que compôs o maior hit da banda “Light My Fire”), o baterista John Densmore que mostra seu lado jazzístico e a melhor surpresa que é a presença do filho de Jim Morrison, Cliff, que sem dúvida herdou a voz do pai; é ouvir para crer!

O segundo CD é de covers e vai se tornando um álbum divertido e fácil ouvir, trazendo uma série de surpresas maravilhosas. Como exemplo, a dupla Raveonettes, transforma “The End” em algo curto e radiofônico sem mutilar a densidade original, além das contribuições de mitos do rock como Ian Gillan (vocalista do Deep Purple) e Rick Wakeman fazendo juntos “Light My Fire”, ou Edgar Winter com a belíssima “Crystal Ship”.

No CD 3, as raízes da banda; um álbum de originais de blues e R&B que fizeram a formação dos membros do The Doors; algo belo e temporal para reforçar que o blues é origem de tudo que ouvimos na música pop contemporânea. Os nomes presentes neste terceiro disco dispensam apresentações: Howlin Wolf, Muddy Waters, Robert Johnson, Billie Holiday e John Lee Hooker que ultrapassam a definição de músicos; são pilares que fazem parte de qualquer construção musical de qualidade.

THE MANY FACES OF THE DOORS não é só um disco, é um caminho de aprendizado e surpresa, uma descoberta ou um dicionário para entender a complexa música do grupo The Doors.

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A música virou artesanato; ainda bem!

17 de Março de 2015 0 comentário

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Passei grande parte da minha vida dedicando-me à música em todas as suas formas: da criação à expressão; com uma dose de empirismo e outra grande dose de academicismo, o que me deixa a vontade para não merecer o título de um músico frustrado que divaga ressentimentos sobre música dos outros. De produtor a divulgador, ouvi toda sorte de absurdos e coerências que a minha formação de comunicador pôde apreciar com a distância semiótica necessária. Se esta introdução parece hermética ou fugaz, o sentido é só resumir que sob minha ótica, vivemos no melhor de todos os mundos da realidade musical. Nunca foi tão fácil produzir, gravar e distribuir música; some a isto, ainda, a facilidade de ter um instrumento e um lugar para ensaiar.

Mas o fato dessas facilidades criar a imobilidade é outro problema; sempre afirmei que não há nada mais apavorante em escrever uma redação quando o título é “Tema Livre”. O que acontece hoje é simplesmente isso: ter “meio”, e não ter “mensagem”. Procurado por centenas de bandas, raramente fui surpreendido e mais raramente ainda respondido quando fazia a simples questão: “Qual sua intenção?”.

Impossível começar algo sem atitude ou coragem; na minha adolescência, fiquei na dúvida entre o visual e o sonoro, ou seja, amava fotografia e fui estudar muito sobre o assunto, até que um dia um professor definiu: “Fotografar é ter coragem!”. Isso me fez ver que não há nada mais direto do que você “roubar” a imagem de algo de uma forma tão explícita e no mundo onde praticamente todo mundo tem uma câmera na mão, quantos têm ideias na cabeça? Será que temos a noção do nosso poder atual de produção?

Voltando à música, que acabou sendo meu caminho, ainda que tortuoso, durante os últimos 40 anos, tenho visto surgir selos cada vez mais interessantes e com produções que beiram o artesanal, tudo emocionante e maravilhoso; surgem sites musicais interessantíssimos, surgem lugares para tocar, inúmeras bandas, rádios online, enfim toda sorte de meios, com um único defeito: pouca interação entre si; não digo algo do tipo “brodagem” (abominável palavra), que no Brasil é um sinônimo para definir a subserviência entre os membros do mesmo “clubinho”; discordar é preciso, assim como criticar, portanto, o que falta aqui é a chamada ”cena”. O segredo da Internet foi criar um protocolo que permitiu os mais diversos tipos de computadores falarem entre si, mas aqui os pares não falam entre si, competem migalhas; triste realidade, enquanto os estabelecidos propagam sua estética pobre e vazia.

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Esta busca por uma “cena”, essa valorização do esforço individual para que ele se torne um caminho de um coletivo é o que devemos buscar na cultura brasileira. É preciso incorporar um novo herói que venha repleto com a palavra que falta na maioria do meio musical atual: “atitude”; algo que se tem ou não, que não se compra, não se finge, não está nos adereços, está na alma…

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A arte foi sempre uma ameaça!

20 de Janeiro de 2015 0 comentário

kingsmen

Em janeiro de 1963, uma versão da música “Louie Louie” feita pelo grupo americano The Kingsmen chegava ao primeiro lugar das paradas e, ao mesmo tempo, virava foco de uma investigação da polícia.

Antes de qualquer teoria conspiratória, é necessário lembrar que a música é um “rhythm and blues” escrito por Richard Berry em 1955. Originalmente foi arranjada em estilo de uma balada jamaicana, ou Calipso, e contava em uma forma de verso-refrão a história em primeira pessoa de um marinheiro jamaicano que voltava à ilha para rever sua amada. Sua primeira edição saiu em um compacto da gravadora Flip com o titulo de “Richard Berry & The Pharaohs”, no ano de 1957. No entanto, a versão que ganhou a fama e as paradas foi a do grupo de Portland, The Kingsmen e, como já dito antes, tornou-se também alvo de uma investigação da polícia sobre o suposto, mas inexistente conteúdo de obscenidade da letra. Devido a palavras quase impossíveis de se entender e um precário esquema de marketing do grupo e sua gravadora, que ventilou o boato, a “confusão” estava armada. Uma vez que o rock já tinha uma má fama vinda dos anos 50 e uma banda de garotos brancos gravando música negra sempre soava suspeito para o “stabilishment” americano da época.

Se hoje a historia da intolerância artística se repete como farsa, naquela época, esta passagem foi tão surreal que poderia parecer mentira, mas não foi!

 

No final de 1965, a carreira e a fama do Kingsmen foi desaparecendo rapidamente, nenhum outro  single conseguiu emplacar nas paradas. Tentaram novamente a fórmula de lançar uma canção “nonsense”, You Got The Gamma Goochee, mas foi um fracasso retumbante. Não se sabe se por falta de assunto ou excesso de neurose, na verdade, quem nunca havia esquecido a banda foi a polícia que chegou a interrogar um dos músicos. Na ocasião ele informou ao Bureau que não era – como tinha sido alegado por políticos e pais indignados – intenção da música da banda ser algo subversivo para com isso corromper a juventude do país.  Finalmente, Depois deste interrogatório cujo conteúdo é considerado uma comédia, a polícia reconheceu sua atitude “curiosa” de passar dois anos tentando decifrar “Louie Louie” e observou no relatório oficial que não existia nenhuma prova de obscenidades e mensagem subliminar na obra.

Por outro lado, “Louie Louie” acabou se tornando uma das músicas mais importantes da história do rock, ganhou prêmios, teve vários livros dedicados a ela e se tornou um ícone do rock de garagem. Houve tantas regravações deste hit, que nos anos 90, uma pesquisa indicou mais de 1200 versões diferentes.

 

A intolerância e a ignorância ainda vão passar muitos apuros tentando entender ou apagar a força de uma canção, de um desenho, de uma poesia ou de qualquer manifestação artística, um desperdício, pois bastaria tentar apreciá-la!

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Com certeza no idiossincrático mundo das listas de melhores discos do ano, um fato devera ser unanime, cinco mulheres deverão aparecer na maioria destas listas. E com certeza vale muito a pena ouvir o que estas meninas estão dizendo em suas composições…

Mas que são elas?

Brody Dalle – ‘Diploid Love’

A australiana Brody Dalle ficou famosa por liderar a competente banda The Distillers, e mais tarde, outra banda de destaque no cenário  alternativo, Spinnerette. Pode ser um detalhe, mas ela é casada com um dos nomes mais influentes e criativo do rock atual, Josh Homme, líder do grupo Queens Of  Stone Age, e critico feroz da musica contemporânea  descartável, se ela convenceu Homme já um bom caminho andado no cenário do rock. Brincadeiras sexistas a parte, Brody estreou em carreira solo este ano com álbum, Diploid Love , produzido por Alain Johannes, lançado em  de fevereiro de 2014, teve como  primeiro single a impactante, “Meet the Foetus / Oh the Joy”, com participação especial de Shirley Manson, vocalista da banda Garbage. O disco traz as nove faixas que podem representar um kit de sobrevivência da musica pop do século 21, surpreendendo com um “hardcore  fluente”, futurista e com pitadas retrô ao mesmo tempo; uma delicia para noites de balada.

Tune-Yards – ‘Nikki Nack’

Tune-Yards é um projeto musical da multi-instrumentista e compositora americana,  Merrill Garbus.  Seu primeiro disco Bird Brains, em 2009,  teve sua primeira tiragem lançada em Fitas Cassete recicladas e depois uma versão em Vinil, o que já chamou a atenção do antenados; o segundo disco, “Whokill” lançado em abril de 2011, consagrou Garbus em termos críticos. Neste ano, ‘Nikki Nack’ sela definitivamente o talento desta banda projeto.  No seu terceiro trabalho,  definido como uma música bem humorada, aparece um  ativismo sonoro são incorporados elementos de jazz  e blues, mas sua criatividade é explicita um álbum para se ouvir de tarde, ou em um fim de semana!

Sharon Van Etten – ‘Are We There’

Esta cantora e compositora americana, nascida em New Jersey,  nasceu em uma família que valoriza as artes, teve a sorte de crescer rodeado por uma enorme coleção de disso de vinil, e junto de seus quatro irmãos cresceu em um ambiente musical onde a brincadeira predileta era todos os irmãos fingirem que eram membros de uma banda de sucesso. Depois de tantas brincadeiras, Sharon aprendeu sozinha a tocar violão e  começou a escrever músicas. Na época do colégio, ela ainda da os créditos de ter aprendido sofisticadas harmonias vocais no coro da escola, pois na 6ª série, fez parte de um coral chamado “The Mini Singers”. Seu primeiro disco oficial, “Because I Was in Love” saiu em 2009, e dois outros álbuns solidificaram sua carreira: Epic (2010) e Tramp (2012). Neste ano com o lançamento de “Are We There”, ele muda o rumo de sua carreira, mais crua, revela  sua realidade  de uma forma do que vive no presente ao contrario de suas outras narrativas que falavam de experiências passadas, um disco atual que pode ser um ótimo companheiro para uma noite de insônia!

St. Vincent  – St. Vincent

Erin “Annie” Clark é mais conhecida pelo seu nome artístico de St. Vincent, cantora, compositora e multi-instrumentista e. Ela começou sua carreira musical como membro dos grupos The Polyphonic Spree e Sufjan Stevens, antes de criar est seu  próprio projeto  em 2006. Sua discografia é composta por, seu álbum de estreia, Marry Me (2007), seguido por Actor (2009) e Strange Mercy (2011). Ela ainda lançou um álbum junto de David Byrne (Talking Heads) em 2012 intitulado  ”Love This Giant”.  Neste ano se consagra com Seu quarto álbum solo, autointitulado St. Vincent, para muitos críticos já foi considerado o disco do ano. Sua presença no placo é hipnótica e sua musica rejeita rótulos; music a para ouvir a qualquer hora do dia ou de noite, mas sempre com muita atenção e de preferência com fones de ouvido de alta definição.

EMA – ‘The Future’s Void’

Erika M. Anderson, mais conhecida pelo seu nome artístico de “EMA”, é outra cantora e compositora americana que vem de South Dakota. Originalmente, foi a vocalista da cultuada banda “Gowns” que pertencia ao movimento do chamado  “Drone-Folk” um estilo que usa estrutura repetitiva e mínima do estilo Drone, com elementos e instrumentação Folk. Sua discografia solo é composta por Little Sketches on Tape (2010)m Past Life Martyred Saints (2011) e The Future’s Void lançado este ano. The Future’s Void é um disco que discute o papel da tecnologia atual em nossas vidas, um mix de “noisy- pop” com psicodelia, pilotado por um artista charmosíssima, para ser ouvido a partir do cair da tarde e sem hora para parar de ouvir.

E para dizer que não falei das flores… Aqui estão as brasileiras

No Brasil as mulheres também tem feito a grande diferença, infelizmente os reality-calouros, os programas “caça talentos” e os, viciados, prêmios da “nova” musica brasileira, que provocam uma emoção tão artificial como uma comercial do “american way of life” dos anos 50, passam ao largo das meninas que poderiam injetar mais energia por aqui. Elas estão no underground emocionam muita gente, mas mereciam muito mais!

Vou começar por Érika Martins , apesar de uma longa carreira, não tem ainda o reconhecimento merecido, lançou este ano um dos melhores discos brasileiros dos últimos tempos “Modinhas” um conceito seríssimo que precisava  ser no mínimo tocado nas rádios. Fernanda Takai nos brindou com disco, “Na Medida do Impossível” que concilia o inconciliável, incrível! No quesito bandas, não deixe de experimentar o “garagem iê iê iê” das Radioativas, o “pop metal” da Constantine e o “hard cabeça” da Mafalda  Morfina! Muita coisa boa, só falta aparecer mais na midia!

Feliz 2015!

Descubra mais aqui:

http://modinhasdaerika.wordpress.com/

http://fernandatakai.com.br/

https://www.facebook.com/asradioativas

http://www.constantinerock.com.br/

http://mafaldamorfina.com.br/

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Dez filmes para entender a paixão pela musica

18 de novembro de 2014 0 comentário

 

 

Há tempos que a música se vale do suporte da imagem para fortalecer seu recado para as novas gerações, que já nascem de olha em uma tela. Porém a união do cinema e da musica é muito mais antiga do que qualquer conceito multimídia; em cima desta ideia e baseado em muitas listas e compilações críticas sobre este tema, segue aqui uma pequena lista de dez filmes que sintetizam das formas mais diversas, da fábula a um hiper-realismo, a paixão pela musica traduzida em imagens…

High Fidelity (2000)  – Alta fidelidade é um livro genial de Nick Hornby. Nesta versão cinematográfica americana, a loja de discos, cenário simbólico do livro, se transfere para Chicago (como poderia estar em qualquer grande cidade do mundo) e não perde a força. Cena musical clássica: a cena em que Jack Black se rende ao clássico de Marvin Gaye: ‘Let’s Get It On”.

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This Is Spinal Tap (1984) – Este clássico absoluto é praticamente desconhecido no Brasil; uma sátira ao mundo dos roqueiros, utilizando uma linguagem de documentário para narrar uma história ficcional do declínio de um trio que foi o máximo dentro do seu estilo. Cena musical clássica: as cenas são clássicas do começo ao fim, o que fica quase impossível para se destacar só uma, aqui você confere a cena hilária que eles se perdem no backstage de um show e não encontram a entrada do palco!

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Don’t Look Back (1967) – Este documentário, além de trazer a visão de Bob Dylan sobre o mundo da musica, é um exercício de criatividade e vanguarda cinematográfica. Maravilhoso do ponto de vista plástico e sonoro. Cena musical clássica: a cena antológica que é copiada a exaustão até hoje, por cineastas e principalmente por publicitários é um clipe de “Subterranean Homesick Blues”.

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Quadrophenia (1979) – Baseado na ópera rock homônima, de 1973, do grupo The Who, o filme, às vezes, foi visto como retratando especificamente um grupo de jovens britânicos chamados de “Mod”, mas o filme vai além; mostra a essência do rebelde sem causa, o conflito e a desilusão da juventude e suas inquietações, atravessa países e gerações. Cena musical clássica: o personagem principal, Jimmy Cooper, faz uma reflexão solitária ao som de “Love Reign O’er Me”.

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Trainspotting (1996) – O filme de 1996, época da explosão do Britpop, permite ao diretor Danny Boyle mostrar de forma focada um momento especifico da cultura jovem inglesa, que briga e pode vencer seus desafios, ainda que isso seja chegar ao limite. Uma trilha brilhante que faz parte da narrativa do filme. Cena musical clássica: a faixa “Born Slippy’” do grupo Underworld serve de moldura para o personagem Reton abandonar sua turma e se tornar careta.

Some Kind Of Monster (2004) – Um documentário sobre o Metallica de uma forma diferente: não mostra um show, nem um estúdio, nem bastidores; mostra o relacionamento de uma banda em um momento de crise de forma verdadeira e realista. O filme vira quase um psicodrama. Cena musical clássica: “Some Kind Of Monster” e “Frantic”, mas o filme, como um todo, narra um assunto nunca explorado no rock: a crise da criatividade.

Almost Famous (2000) – O escritor da revista americana Rolling Stone, Cameron Crowe, baseou seu roteiro na sua experiência pessoal; o filme não poderia soar mais autêntico. Uma mistura de realização e decadência como pode ser a essência do rock, o sonho e a realidade entediante. Cena musical clássica: a cena do ônibus da excursão ao som de “Tiny Dancer”, de Elton John.

Control (2007) – Anton Corbijn, que já foi fotógrafo do NME, criou uma das mais intensas e bonitas biografias para o cinema, transpondo a história de Ian Curtis, do grupo Joy Division e que cometeu suicido aos 23 anos de idade. Baseado no livro de Deborah Curtis “Touching from a Distance”, o filme mostra a trajetória de Ian curtis dos tempos de colégio aos inesperados problemas que fama e sucesso trazem. Cena musical clássica: a cena de shows ao vivo, refeita pelos atores de uma maneira inacreditavelmente realista.

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Anvil: The Story of Anvil (2008) – Este filme mostra de uma maneira incrível toda a dificuldade que uma banda pode ter em sua carreira. Narra a historia real do grupo canadense Anvil, desconhecido para muitos, mas que praticamente fez toda base do metal moderno. Consegue mostrar uma realidade de fracassos de uma banda, outrora famosa; uma espécie de Spinal Tap real, para Michael Moore o documentário mais incrível que ela já viu. Um filme que todo mundo, antes de ter uma banda deveria ver. Cena musical clássica: a cena final, quando a banda sai do palco no Japão.

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24 Hour Party People (2002) – Este é um filme tipicamente britânico, com humor britânico e que só poderia ser entendido plenamente por um britânico, mas no fundo é um bom filme se você conhecer um pouco da música inglesa e se um dia teve a oportunidade de ir para a Inglaterra. O filme mostra a cena de Manchester e o apogeu e queda de uma das mais importantes gravadoras indie de todos os tempos: Factory Records. Porem é um raio-X da realidade de uma gravadora independente.

24 Hour Party People

Todos estes filmes são relativamente fáceis de serem localizados e estão disponíveis em vários formatos, vale a pena uma rápida busca.

Foto Maia

Quando o personagem Rob Flemming, do livro Alta Fidelidade de Nick Hornby, mostrava-se um viciado em contar fatos através de listas de “TOP 5”, foi criada uma das melhores metáforas do mundo pop,pois a mídia e o ser humano adoram listas! Todos fogem, todos discordam, todos fingem não ver, mas ninguém resiste a uma lista; no mínimo, para discordar de seu conteúdo.

Isso posto, neste meu espaço no Blog da Avianca, vou provocar e inquietar a todos despertando tal assunto.

E para refletir sobre isso, trago uma lista misturando várias outras e apontando 75 canções que definiram o “Rock ‘n’ Roll”. Tenho que confessar que esta lista me deixa totalmente reflexivo, pois até eu, que aprendi nos meus mais de trinta e cinco anos de atividade no meio cultural a respeitar opiniões diversas, sinto-me com vontade de fazer várias modificações, e justamente por isso, fico feliz, pois esta é uma boa oportunidade para refletir qual seria a nossa lista. Então, mãos à obra!

Aqui, a lista completa, dividida em três categorias, que defini com “licença poética” em cima de todas as outras listas que compilei

a) “As básicas”

  1. Bob Dylan – Like A Rolling Stone
  2. Elvis Presley – Heartbreak Hotel
  3. James Brown – Papa’s Got A Brand New Bag
  4. Joy Division – Love Will Tear Us Apart
  5. Nirvana – Smells Like Teen Spirit
  6. Oasis – Live Forever
  7. Otis Redding – I’ve Been Loving You Too Long (To Stop Now)
  8. Peggy Lee – Fever
  9. Pink Floyd – Arnold Layne
  10. Pixies – Debaser
  11. Radiohead – Creep
  12. Sex Pistols – Anarchy In The Uk
  13. The Beatles – A Day In The Life
  14. The Beatles – A Hard Day’s Night
  15. The Clash – London Calling
  16. The Kingsmen – Louie Louie
  17. The Rolling Stones – (I Can’t Get No) Satisfaction
  18. The Shangri-Las – The Leader Of The Pack
  19. The Smiths – How Soon Is Now
  20. The Stone Roses – Love Spreads
  21. The Strokes – Last Night
  22. The Velvet Underground – I’m Waiting For The Man
  23. The White Stripes – Seven Nation Army
  24. The Who – My Generation
  25. U2 – New Year’s Day

 

b) “As que deram os passos para outras tendências”

  1. Blondie – One Way Or Another
  2. Bob Marley – I Shot THe Sheriff
  3. Coldplay – Yellow
  4. Cornershop – Brimful Of Asha
  5. David Bowie – Changes
  6. Happy Mondays – Step On
  7. Jimi Hendrix – Hey Joe
  8. Kaiser Chiefs – I Predict A Riot
  9. Kraftwerk – Autobahn
  10. Marvin Gaye – I Heard It Through The Grapevine
  11. Primal Scream – Loaded
  12. Public Enemy – Fight The Power
  13. Pulp – Common People
  14. Ramones – Sheena Is A Punk Rocker
  15. Roxy Music – Do The Strand
  16. Rex – Jeepster
  17. The Beach Boys – Good Vibrations
  18. The Birds – Turn Turn Turn
  19. The Cure – In Between Days
  20. The Jesus And Mary Chain – April Skies
  21. The Kinks – Waterloo Sunset
  22. The La’s – There She Goes
  23. The Prodigy – Firestarter
  24. The Verve – Bitter Sweet Symphony
  25. Yeah Yeah Yeahs – Maps

 

c) “As que flertaram com outras possibilidades”

  1. ABC – The Look Of Love
  2. Aphex Twin – Come To Daddy
  3. Arcade Fire – Power Out
  4. Buzzcocks – Ever Fallen In Love…
  5. Chuck Berry – Johnny B Goode
  6. Dexy’s Midnight Runners – Geno
  7. Eminem – My Name Is
  8. Grandmaster Flash – White Lines (Don’t Do It)
  9. LCD Soundsystem – Losing My Edge
  10. Madonna – Into The Groove
  11. Michael Jackson – Don’t Stop ‘Till You Get Enough
  12. Missy Elliott – Get Ur Freak On
  13. Morrissey – Suedehead
  14. Prince – When Doves Cry
  15. Queens Of The Stone Age – The Lost Art Of Keeping A Secret
  16. Talking Heads – Once In A Lifetime
  17. The Beat – Mirror In The Bathroom
  18. The Breeders – Cannonball
  19. The Doors – People Are Strange
  20. The Flaming Lips – Race For The Prize
  21. The Human League – Love Action
  22. The Jam – Going Underground
  23. The Rapture – House Of Jealous Lovers
  24. Thin Lizzy – The Boys Are Back In Town
  25. Underworld – Born Slippy

 

Gostou? Concordou? Discordou?
Então, agora é a sua vez: monte sua lista!

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Viagem ao centro do rock

12 de agosto de 2014 0 comentário

Foto capa

Este magistral sonho, o “Rock and Roll Hall of Fame and Museum”, abriu as suas portas em 1995, às margens do Lago Erie, no centro de Cleveland, Ohio. É uma organização sem fins lucrativos, que coleta dados em todo o mundo, conserva, faz exposições e a sua missão é preservar e apresentar de forma didática para os visitantes, fãs e estudiosos, de todo o mundo, a história e a importância do rock and roll.

Sinceramente, como um turista normal, não existe nada de especial na cidade americana de Cleveland que pudesse me atrair, porém, como um amante da música existe por lá algo que é único em todo o mundo: o sensacional Rock and Roll Hall of Fame and Museum!

Todo velho roqueiro, como eu, sonha com uma utópica viagem a um lugar onde se possa encontrar a verdadeira história de um gênero tão controverso e cheio de lendas, mas nem de longe pensaria que este lugar é Cleveland, mesmo sabendo que o rock nasceu nos Estados Unidos e tem influentes filhos revolucionários na Grã Bretanha e vários parentes ao redor do mundo. No entanto, foi lá, que o radialista Alan Freed batizou, em seu programa de rádio, de “Rock and Roll” esse estilo musical tão diversificado.

Há 28 anos, os líderes da indústria da música se uniram para criar a “Rock and Roll Hall of Fame Foundation” em Nova York, uma instituição para celebrar a música e os músicos do rock. Com isso, uma das muitas funções dessa Fundação é reconhecer as contribuições de pessoas que tiveram um impacto significativo sobre a evolução, desenvolvimento e perpetuação do rock and roll e nomeá-los para um “Hall da Fama”.

O primeiro jantar de nomeação para o Hall of Fame foi realizado no famoso Waldorf-Astoria, Hotel de Nova York, em janeiro de 1986. Os primeiros nomeados foram: Chuck Berry, James Brown, Ray Charles, Sam Cooke, Fats Domino, The Everly Brothers, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis, Elvis Presley e Little Richard . Robert Johnson, Jimmie Rodgers e Jimmy Yancey foram homenageados como as grandes bases e influências do gênero. Os primeiros “não artistas” homenageados foram o produtor Sam Phillips, o radialista Alan Freed e o produtor John Hammond, todos reconhecidos com o prêmio “Lifetime Achievement”.

Membros da comunidade de Cleveland, em 1985, sugeriram à Fundação a construção de um grande museu. A ideia era originalmente comprar um triplex em Nova York para abrigar o Hall of Fame, assim como um arquivo, biblioteca e museu. Em novembro daquele ano, os entusiastas de Clevaland enviaram uma delegação à Nova York, levaram algumas plantas e diagramas maravilhosos para um museu que seria muito maior do que qualquer casa que os membros do Hall of Fame inicialmente tivessem pensado.

Além disso, em uma pesquisa pública realizada em todos os Estados Unidos, perguntando onde o Hall da Fama deveria ser localizado, Cleveland ficou em primeiro lugar e, finalmente, depois de muita competição e muitas visitas a locais potenciais por membros da Fundação, Cleveland foi realmente escolhido como o lar permanente para o Hall da Fama e Museu do Rock and Roll, em maio de 1986.

Após uma extensa pesquisa ao longo de 1987, o arquiteto de renome mundial I.M. Pei foi escolhido para projetar o Museu. Pei tinha muito a aprender para incorporar ao projeto e chegou até a declarar: “Eu não sabia nada sobre o rock and roll”. Membros da Fundação levaram Pei em viagens para Memphis e New Orleans e para concertos em Nova York. “Nós ouvimos um monte de música e vimos muita coisa e eu finalmente consegui entender o espírito: o rock and roll é energia”, disse Pei. Ele, então, aceitou o desafio de projetar o primeiro museu do mundo dedicado ao rock and roll.

Em setembro de 1995, após 12 anos de construção, o “Rock and Roll of Fame and Museum” abriu com uma agenda cheia de eventos. No dia primeiro de setembro, a festa começou com uma parada pelas ruas de Cleveland, seguida de uma cerimônia de inauguração em frente ao Museu.  O Museu abriu oficialmente ao público no sábado, 2 de setembro e começou com uma cerimônia homenageando a história de Ahmet Ertegun, o fundador do Hall da Fama do Rock and Roll. A noite culminou com um concerto beneficente no Cleveland Municipal Stadium, com grandes nomes do rock and roll como Chuck Berry, Bob Dylan, Al Green, Jerry Lee Lewis, Aretha Franklin, Johnny Cash, The Pretenders, John Fogerty, Lou Reed, Iggy Pop, George Clinton, The Kinks, John Mellencamp , Bruce Springsteen, Booker T. and The MGs, Eric Burdon e Martha Reeves.

Desde a sua abertura, o Rock and Roll Hall of Fame and Museum já fez centenas de exposições temáticas, recebeu cerca de dez milhões de visitantes de todo o mundo, além de receber mais de 50.000 estudantes e educadores por ano através de seus programas de pesquisas e educação.

Um belo exemplo para qualquer país e qualquer gênero musical!

 

 

Fotos Maia

Seu apelido é “Capital Mundial da Música ao Vivo”. Devido ao grande número de músicos e bares com esse tipo de entretenimento, recentemente, adotou o slogan “Mantenha Austin Esquisita” (Keep Austin Weird). Isso por culpa do estilo de vida pouco convencional e progressista da maioria dos residentes. Reza a lenda que tudo foi acontecendo devido à mudança de Willie Nelson para lá, e pode ter sido mesmo. Ser o lar do decano da união da música com a cannabis deve sim ter contribuído muito para isso, embora não deixe de ser um paradoxo esse “oásis alternativo” ficar na capital de um estado tão conservador como o Texas!

Outra boa hipótese da mente aberta de Austin é que ela sedia muitas companhias de alta tecnologia, o que dá à cidade outro título: “Colinas do Silício” (trocadilho com o Vale do Silício [Silicon Valley] na Califórnia, e também expoente tecnológico). Considerada a segunda melhor cidade grande para se morar, apesar de não parecer tão grande com o seus 800 mil habitantes (principalmente para um paulistano que está acostumado a dividir o espaço com mais 11 milhões), é, sem duvida, bem agradável passar um dias como turista por lá! E para aqueles que insistem na improfícua discussão de como conciliar bicicletas com a selvageria de uma cidade como São Paulo, bastaria ver o mar de bicicletas estacionado num parque local e ver que realmente a grama do vizinho “ali” é muito mais verde!

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Os “austinites”, denominação para os habitantes locais, são simpáticos e receptivos e se mostram desencanados, pouco apressados e curtem passear pelas ruas planas e de arquitetura impecável. Durante esses passeios a pé, pode se sentir o cheiro da cerveja e da boa música saindo dos mais diversos estilos de bares. Por falar em bares, nada mais tradicional que o “Antone´s”, chamado de o “Lar do Blues” e criado por Clifford Antone, em 1975. Esta “landmark” já recebeu nomes como Muddy Waters, B.B. King, Buddy Guy, John Lee Hooker, Pinetop Perkins, James Cotton entre centenas de outros, em uma época que isso não era nem moda, nem chique. A resistência valeu e hoje mais que um bar, o local é um verdadeiro centro cultural.

Em 2011, tive a sorte de estar por lá durante o “Austin City Limits Music Festival” (http://www.aclfestival.com/), um festival anual de três dias que reúne o que existe de melhor em termos de tendências e da musica atual, alma de nomes consagrados.  A edição deste ano que acontece em outubro terá de Pearl Jam e Eminem a excelentes novidades com St. Vincent e Tune-Yards.

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Porém, depois de tanta informação, uma pequena lojinha pode sintetizar todo o espírito de Austin: “Wild About Music” (http://www.wildaboutmusic.com/). É impossível ficar indiferente ao apelo lúdico da loja. De roupas aos “brinquedos” que todos os amantes de música adoram, mesmo os leigos ficariam tentados a comprar algo que “sem saber bem para que serve”, iriam querer levar para casa. A loja não é o reduto de suvenires locais, mas um microcosmo dos que gostam de música e miniaturas, roupas, objetos de decoração e uma infinidade de boas ideias. Bem, depois de tanta descoberta, nada melhor que se fartar no autointitulado “Pior Churrasco do Texas”. Este “oxymoron” mostra como o marketing pode ser algo divertido, levando filas a um local onde se come com a mão se auto serve de bebidas, mas que se come muito bem e nos motiva a escrever sobre o assunto do outro lado do hemisfério.