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A terapia de riso de Paulo Gustavo

1 de dezembro de 2015 0 comentário

Em cartaz há quase dois anos com “220 Volts”, Paulo Gustavo diz que seu maior desafio é “parecer que se está fazendo a peça pela primeira vez”.

 

Paulo Gustavo é dono de um humor eletrizante. Na TV, no cinema ou nos palcos, ele canta, dança, interpreta, imita, debocha e arranca gargalhadas por onde quer que passe.

Nem a rainha do POP escapa de suas paródias hilárias:

 

Depois de rodar o Brasil de Norte a Sul, o espetáculo 220 Volts, entra em sua reta final. “Já estou com saudade antes de acabar”, desabafa o ator.

Há quase dois anos em cartaz, Paulo Gustavo relembra em bate-papo com a equipe do Blog da Avianca alguns dos principais momentos do espetáculo. Confira.

Quais foram os principais desafios ao adaptar esquetes do programa de televisão para o teatro?

Quando a gente faz TV, a gente interpreta pra câmera; quando a gente faz teatro a gente interpreta para o público. São duas linguagens diferentes: quando é do teatro pra TV, acho mais complicado do que da TV para o teatro, por que é só a gente subir um tom. Por exemplo, foi um mega desafio transformar a Dona Ermínia [do espetáculo Minha Mãe é uma Peça] do teatro pra TV e depois para o cinema. Eu acho que o caminho inverso é sempre mais difícil. Para aproveitar que a gente está falando de desafio, o maior deles no teatro é ficar tanto tempo em cartaz, como eu que estou há quase dois anos com o 220V e manter o frescor de todos os dias, parecer que se está fazendo a peça pela primeira vez. É sempre um salto no escuro: o que vai acontecer quando abrir a cortina? Como vai estar o público? Como é que a gente vai falar o texto? A gente tem que estar presente no palco, enxergar o colega de cena, estar com uma escuta boa.

 

PG

Foto: Paprica Fotografia

“220 volts” é praticamente uma metáfora da sua personalidade eletrizante. De onde você tira fôlego para manter um espetáculo de 75 minutos assim ligado no 220V?

Eu não preciso de muitos artifícios para deixar “o meu 220” ligado na peça, não! Eu sou ligado 24h por dia assim. Eu não consigo dormir direito, eu estou sempre agitado, sempre pensado em alguma coisa. Quando eu chego no palco é só diversão. A minha maior dificuldade nem é estar “no 220” dentro palco, é desfazer na hora de dormir. Meu problema é o contrário.

 

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Foto: Dado Marietti

Você é um artista multifacetado: interpreta, faz stand –up comedy, escreve e, mais recentemente, tem surpreendido o público como dançarino também. Como é trabalhar com o coreógrafo Dudu Pacheco?

Trabalhar com o Dudu Pacheco é o máximo, eu o conheço há muitos anos. Eu já era fã dele porque ele é um excelente bailarino, ele já viajou o mundo inteiro dançando e quando ele fez escola do Wolf Maia, eu estava em cartaz em São Paulo [com o espetáculo Hiperativo]. Ele queria morar no Rio de Janeiro e dar uma pausa do balé contemporâneo. Aí eu falei que eu ia fazer um espetáculo musical e que teriam bailarinos e eu adoraria que ele não só coreografasse como também ficasse em cartaz comigo. O Dudu é uma pessoa mega divertida, é meu amigo, eu morro de rir com ele, a gente se diverte sempre que está junto, e pra mim é um prazer estar em cena com ele sempre e ele tá sempre junto como não só em cena como fora  e como bailarino, como amigo, como ator, como tudo. Uma pena que vai acabar em janeiro agora, até falei com ele na coxia esses dias: “Poxa, vai acabar!” e ele falou “Ai, Paulo, vou sentir tanta saudade dessa peça!”. E eu, gente?!?

 

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Por que você escolheu interpretar apenas personagens femininas nesse espetáculo?

Foi através de uma pesquisa mesmo. Eu pensei com o [Sandro] Chaim [produtor do espetáculo] “Será que eu faço todos os masculinos? São vários, temos que escolher quem são os mais queridos. Ou será que eu faço as femininas?”. A gente começou a pesquisar na internet quais eram os vídeos que bombavam mais, que eram o do “Sem Noção”, o do “Playboy”, e outros como “a Senhora dos Absurdos”, “a mulher feia”, “Ivonete”, “a famosa”… eu vi que elas viravam “viralzinho” na internet. Hoje eu to afim de exageraaar!” virou uma coisa meio que do Carnaval desse ano, todo mundo mandava por Whatsapp. Da “Senhora dos Absurdos” também, todos os vídeos são muito bem assistidos. Com essa mini pesquisa que a gente fez, vimos logo de cara mais personagens femininas fazendo sucesso que os masculinos. Os femininos eram sete – e ainda ficou a “Periquita” de fora, aquela romântica apaixonada que gruda nos caras que nem ventosa, que gente não colocou pra não ficar muito longa a peça.

 

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Qual delas é a sua preferida? Por quê?

Eu não consigo dizer qual eu prefiro. Eu me divirto fazendo todos. Se eu tiver que escolher um personagem pra fazer vai ser, claro, a Dona Ermínia do “Minha Mãe é uma Peça”, que foi o personagem que mudou a minha vida pra sempre, mas todos os outros personagens eu amo fazer. Eu acho até que por eu me divertir tanto fazendo que o público se diverte tanto assistindo. Eu trabalho muito, mas também me divirto muito no meu trabalho.

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