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Uma aula de futebol (e de mundo)

3 de julho de 2014 0 comentário

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Um dos aspetos mais legais do futebol, para mim, é esse caráter multicultural. Saber quem são os craques, a formação tática, as chances de vitória de equipes como Camarões, Argélia, Austrália, Croácia, Honduras, Costa do Marfim… Mas o futebol e o lado esportivo acabam servindo como um interessante gancho, e me pego descobrindo algumas características históricas, culturais e geográficas de alguns locais que normalmente não entrariam na minha lista de roteiros a serem pesquisados ou desbravados.

 

Se eu achava que isso era uma curiosidade e interesse particular meu, percebi que, para minha felicidade, essa impressão estava redondamente errada. Adolescentes e crianças de várias nações aprenderam um pouco mais sobre os países que vieram para o Brasil, e sobre o maior evento de futebol do planeta.

 

Trocando figurinhas, pesquisando a origem de jogadores naturalizados por outras seleções, entendendo a rivalidade que as vezes ultrapassa o campo de jogo ou simplesmente engrossando a torcida tão plural de seu país, milhões de pequenos fãs de futebol aprenderam um pouquinho mais daquilo que são obrigados a decorar entre bocejos e resmungos na sala de aula (quando, muito provavelmente, preferiam estar na quadra da escola jogando futebol com os colegas).

 

Porque quando o bicho pega os argentinos implicam tão mais com os chilenos do que com a gente, os brasileiros? Porque os jogos da Alemanha com a Holanda (ou Polônia, que dessa vez não veio para a Copa) são tão polêmicos? EUA versus Irã sempre será uma peleja complicada? Porque o craque francês Benzema se recusa a cantar a Marseillese, o hino de seu país (lembrando que ele é de origem argelina)? E a rivalidade entre a Inglaterra e a Argentina (olha ela aí de novo) que acarreta em partidas lendárias ao longo da história das Copas?

 

Basta olhar com um pouco mais de curiosidade para perceber que além dos 22 caras correndo atrás de uma bola há um mundo de histórias pessoais e multiculturais a serem descobertas. E talvez seja esse o pano de fundo ou o chamariz disfarçado que faça esse evento esportivo ser algo tão grandioso. Todos os corações do mundo, como dizia o filme da Copa de 94 (aquela que o baixinho Romário trouxe pra nós) unidos, competindo entre si, chorando, celebrando e batendo juntos por um mês.

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