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A arte foi sempre uma ameaça!

20 de janeiro de 2015 0 comentário

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Em janeiro de 1963, uma versão da música “Louie Louie” feita pelo grupo americano The Kingsmen chegava ao primeiro lugar das paradas e, ao mesmo tempo, virava foco de uma investigação da polícia.

Antes de qualquer teoria conspiratória, é necessário lembrar que a música é um “rhythm and blues” escrito por Richard Berry em 1955. Originalmente foi arranjada em estilo de uma balada jamaicana, ou Calipso, e contava em uma forma de verso-refrão a história em primeira pessoa de um marinheiro jamaicano que voltava à ilha para rever sua amada. Sua primeira edição saiu em um compacto da gravadora Flip com o titulo de “Richard Berry & The Pharaohs”, no ano de 1957. No entanto, a versão que ganhou a fama e as paradas foi a do grupo de Portland, The Kingsmen e, como já dito antes, tornou-se também alvo de uma investigação da polícia sobre o suposto, mas inexistente conteúdo de obscenidade da letra. Devido a palavras quase impossíveis de se entender e um precário esquema de marketing do grupo e sua gravadora, que ventilou o boato, a “confusão” estava armada. Uma vez que o rock já tinha uma má fama vinda dos anos 50 e uma banda de garotos brancos gravando música negra sempre soava suspeito para o “stabilishment” americano da época.

Se hoje a historia da intolerância artística se repete como farsa, naquela época, esta passagem foi tão surreal que poderia parecer mentira, mas não foi!

 

No final de 1965, a carreira e a fama do Kingsmen foi desaparecendo rapidamente, nenhum outro  single conseguiu emplacar nas paradas. Tentaram novamente a fórmula de lançar uma canção “nonsense”, You Got The Gamma Goochee, mas foi um fracasso retumbante. Não se sabe se por falta de assunto ou excesso de neurose, na verdade, quem nunca havia esquecido a banda foi a polícia que chegou a interrogar um dos músicos. Na ocasião ele informou ao Bureau que não era – como tinha sido alegado por políticos e pais indignados – intenção da música da banda ser algo subversivo para com isso corromper a juventude do país.  Finalmente, Depois deste interrogatório cujo conteúdo é considerado uma comédia, a polícia reconheceu sua atitude “curiosa” de passar dois anos tentando decifrar “Louie Louie” e observou no relatório oficial que não existia nenhuma prova de obscenidades e mensagem subliminar na obra.

Por outro lado, “Louie Louie” acabou se tornando uma das músicas mais importantes da história do rock, ganhou prêmios, teve vários livros dedicados a ela e se tornou um ícone do rock de garagem. Houve tantas regravações deste hit, que nos anos 90, uma pesquisa indicou mais de 1200 versões diferentes.

 

A intolerância e a ignorância ainda vão passar muitos apuros tentando entender ou apagar a força de uma canção, de um desenho, de uma poesia ou de qualquer manifestação artística, um desperdício, pois bastaria tentar apreciá-la!

Culturais

Dez filmes para entender a paixão pela musica

18 de novembro de 2014 0 comentário

 

 

Há tempos que a música se vale do suporte da imagem para fortalecer seu recado para as novas gerações, que já nascem de olha em uma tela. Porém a união do cinema e da musica é muito mais antiga do que qualquer conceito multimídia; em cima desta ideia e baseado em muitas listas e compilações críticas sobre este tema, segue aqui uma pequena lista de dez filmes que sintetizam das formas mais diversas, da fábula a um hiper-realismo, a paixão pela musica traduzida em imagens…

High Fidelity (2000)  – Alta fidelidade é um livro genial de Nick Hornby. Nesta versão cinematográfica americana, a loja de discos, cenário simbólico do livro, se transfere para Chicago (como poderia estar em qualquer grande cidade do mundo) e não perde a força. Cena musical clássica: a cena em que Jack Black se rende ao clássico de Marvin Gaye: ‘Let’s Get It On”.

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This Is Spinal Tap (1984) – Este clássico absoluto é praticamente desconhecido no Brasil; uma sátira ao mundo dos roqueiros, utilizando uma linguagem de documentário para narrar uma história ficcional do declínio de um trio que foi o máximo dentro do seu estilo. Cena musical clássica: as cenas são clássicas do começo ao fim, o que fica quase impossível para se destacar só uma, aqui você confere a cena hilária que eles se perdem no backstage de um show e não encontram a entrada do palco!

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Don’t Look Back (1967) – Este documentário, além de trazer a visão de Bob Dylan sobre o mundo da musica, é um exercício de criatividade e vanguarda cinematográfica. Maravilhoso do ponto de vista plástico e sonoro. Cena musical clássica: a cena antológica que é copiada a exaustão até hoje, por cineastas e principalmente por publicitários é um clipe de “Subterranean Homesick Blues”.

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Quadrophenia (1979) – Baseado na ópera rock homônima, de 1973, do grupo The Who, o filme, às vezes, foi visto como retratando especificamente um grupo de jovens britânicos chamados de “Mod”, mas o filme vai além; mostra a essência do rebelde sem causa, o conflito e a desilusão da juventude e suas inquietações, atravessa países e gerações. Cena musical clássica: o personagem principal, Jimmy Cooper, faz uma reflexão solitária ao som de “Love Reign O’er Me”.

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Trainspotting (1996) – O filme de 1996, época da explosão do Britpop, permite ao diretor Danny Boyle mostrar de forma focada um momento especifico da cultura jovem inglesa, que briga e pode vencer seus desafios, ainda que isso seja chegar ao limite. Uma trilha brilhante que faz parte da narrativa do filme. Cena musical clássica: a faixa “Born Slippy’” do grupo Underworld serve de moldura para o personagem Reton abandonar sua turma e se tornar careta.

Some Kind Of Monster (2004) – Um documentário sobre o Metallica de uma forma diferente: não mostra um show, nem um estúdio, nem bastidores; mostra o relacionamento de uma banda em um momento de crise de forma verdadeira e realista. O filme vira quase um psicodrama. Cena musical clássica: “Some Kind Of Monster” e “Frantic”, mas o filme, como um todo, narra um assunto nunca explorado no rock: a crise da criatividade.

Almost Famous (2000) – O escritor da revista americana Rolling Stone, Cameron Crowe, baseou seu roteiro na sua experiência pessoal; o filme não poderia soar mais autêntico. Uma mistura de realização e decadência como pode ser a essência do rock, o sonho e a realidade entediante. Cena musical clássica: a cena do ônibus da excursão ao som de “Tiny Dancer”, de Elton John.

Control (2007) – Anton Corbijn, que já foi fotógrafo do NME, criou uma das mais intensas e bonitas biografias para o cinema, transpondo a história de Ian Curtis, do grupo Joy Division e que cometeu suicido aos 23 anos de idade. Baseado no livro de Deborah Curtis “Touching from a Distance”, o filme mostra a trajetória de Ian curtis dos tempos de colégio aos inesperados problemas que fama e sucesso trazem. Cena musical clássica: a cena de shows ao vivo, refeita pelos atores de uma maneira inacreditavelmente realista.

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Anvil: The Story of Anvil (2008) – Este filme mostra de uma maneira incrível toda a dificuldade que uma banda pode ter em sua carreira. Narra a historia real do grupo canadense Anvil, desconhecido para muitos, mas que praticamente fez toda base do metal moderno. Consegue mostrar uma realidade de fracassos de uma banda, outrora famosa; uma espécie de Spinal Tap real, para Michael Moore o documentário mais incrível que ela já viu. Um filme que todo mundo, antes de ter uma banda deveria ver. Cena musical clássica: a cena final, quando a banda sai do palco no Japão.

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24 Hour Party People (2002) – Este é um filme tipicamente britânico, com humor britânico e que só poderia ser entendido plenamente por um britânico, mas no fundo é um bom filme se você conhecer um pouco da música inglesa e se um dia teve a oportunidade de ir para a Inglaterra. O filme mostra a cena de Manchester e o apogeu e queda de uma das mais importantes gravadoras indie de todos os tempos: Factory Records. Porem é um raio-X da realidade de uma gravadora independente.

24 Hour Party People

Todos estes filmes são relativamente fáceis de serem localizados e estão disponíveis em vários formatos, vale a pena uma rápida busca.