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Uma das partes mais legais de uma viagem de férias é traçar o roteiro. Mas, ao mesmo tempo, é uma das partes mais complicadas. Ainda mais quando você tem poucos dias para ver muita coisa. E esse é justamente o caso de minhas férias pela região da Toscana, na Itália. São dezenas de cidadezinhas, atrações, restaurantes, gelaterias (hmmmm…) e aí aparecem as questões: Que cidades conhecer? Onde ficar? Que roteiros fazer? Onde comer?

 

Nada melhor para responder todas essas questões e ajudar o viajante do que narrar aqui o meu roteiro. Ou pelo menos parte dele, a parte mais importante e imprescindível. Porque, na verdade, dá para passar mais de um mês na região e explorar cada esquina, colina e cidadezinha murada medieval.

 

Roma- Em primeiro lugar, se você não conhece Roma, não passe batido. Pode parecer óbvio, mas muita gente reserva poucos dias para essa que é uma das cidades mais lindas, ricas em história do mundo na ânsia de ir logo para a Toscana. Independente do seu roteio, Roma merece no mínimo uns 5 dias (que você vai gastar a sola do sapato de tanto andar). Vale cada minuto!

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Siena- Essa pode ser a sua cidade base. Florença, a lendária rival de Siena, é igualmente interessante a seu próprio modo, mas Siena é ideal por estar localizada bem próximo a trechos que você vai conseguir explorar duas a três cidades por dia. Se você conseguir ficar na cidade na época do Il Palio, a tradicional corrida de cavalos entre bairros locais, é uma experiência memorável! Uma tradição medieval que parece uma viagem no tempo.

 

Florença-  Depois de Roma, Florença é a cidade mais charmosa do país. Menorzinha, com referencias artísticas que passam por Michelangelo, Dante Alighieri, Rafael, Boticelli… e uma aura de cidade pequena, aconchegante, histórica e ao mesmo tempo com gente jovem, moderna e atrações gastronômicas e culturais das melhores.

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Lucignano, Volterra, Arezzo- partindo de Siena, esse pode ser seu primeiro roteiro pela Toscana. Em ordem de tamanho você vai conhecer uma mini-cidade linda (Lucignano), uma outra um pouco maior mas com uma estrutura legal para você fazer compras de souvenir, ir a um restaurante  comer um gelato de sobremesa (Volterra) e fechar com uma cidade “grande” para os padrões da Toscana (na verdade, se tiver pouco tempo, Arezzo é uma boa cidade para ser cortada do roteiro. Só vale por ter sido cenário do clássico “A Vida é Bela”, do Roberto Benini).

 

As cidades M e Pienza– Também partindo de Siena, no segundo dia na Toscana vale conhecer Monteriggioni, praticamente uma cidade-castelo que foi a inspiração do castelo do game “Assassins Creed”, Montalcino, onde você vai saborear o espetacular vinho Brunello di Montalcinno (cate uma safra pré-2008) e Pienza, que parece um souvenir de cidade, e onde você tem que comer o tradicional queijo pecorino.

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Ha uns seis anos eu e mais três amigos iniciamos um projeto onde viajaríamos pelo mundo conhecendo culturas distantes, realidades inóspitas, roteiros fora do tradicional, nações em conflito, países vitima de desastre natural e algumas outras grandes questões da humanidade.  Desde então, entre momentos de tensão e alegria, já cruzamos fronteiras proibidas, entrevistamos terroristas, apertamos a mão de Premio Nobel da paz, demos rolé de tanque com a ONU, levamos ajuda humanitária em tsunami… entre outros feitos daqueles de contar para os netinhos no futuro. As vezes penso que já vi de tudo, mas a cada nova temporada do NCLC eu quebro a cara e me surpreendo com situações e pessoas que provam o quão vasto e maravilhoso e o nosso planeta.

Esse ano a temporada do programa foi bem especial e com uma abordagem bem diferente de todas as outras que fizemos. Nossa missão não era exatamente traçar um perfil de um pais mal interpretado ou vivendo algum tipo de situação complexa e singular, partimos do Brasil para os confins da Escandinávia (mais precisamente para as Ilhas Faroe) para acompanhar o trabalho de uma organização de proteção a vida marinha. Através de um amigo ativista, acompanhamos de perto o trabalho da Sea Shepherd (quem já viu a serie Whale Wars deve conhecer bem) em sua luta para evitar que centenas de baleias-piloto sejam brutalmente assassinadas em cenas dantescas onde barcos cercam os animais e os conduzem ate as praias onde são assassinados pela população ensandecida em um frenesi de imagens fortíssimas e mar tingido de sangue. Aprendemos muito, ouvimos relatos emocionantes de ativistas que lutaram e foram presos tentando evitar essa matança, conhecemos lugares lindos mas carregados de uma energia pesada e, procurando ouvir os dois lados das questão, percebemos o quanto algumas noções que parecem tao cruéis e distantes na verdade estão diretamente ligadas a hábitos alimentares e muito próximas de nossa própria realidade.
 
Serão dois episódios (dia 07/11 e 14/11) de cenários paradisíacos, imagens fortes e muita informação para fazer todo mundo pensar sobre o papel do homem na natureza e nossa relação com os outros animais com quem dividimos esse planeta.
 
De lá, seguimos para a Islândia, onde vivemos a realidade de um lugar onde a ameaça de um vulcão, algo completamente idílico e surreal para três brasileiros, por mais atemorizante que seja é parte da rotina desse país. Muita gente não sabe, mas em 2008 a Islândia vivia uma crise financeira gravíssima, bancos quebraram, moeda desvalorizou e a situação ficou muito complicado. Difícil imaginar para quem hoje visita a capital de Reykjavik, com seus prédios baixos e coloridos, clima de cidade pequena e pacata e lojinhas de souvenir e casacos (o clima frio, como se deve imaginar, impera o ano todo praticamente) ou percorre de carro as estradas lisas que circundam o país e atravessam paisagens que variam de montanhas cobertas de gelo a desertos de lava vulcânica. Parte das iniciativas que tiraram a Islândia da crise foram o foco em economia sustentável, ecologia etc. Parte disso passa por encarar seus vulcões (fenômeno preocupante que já fechou todo o espaço aéreo da Europa por alguns dias) como algo não tão assustador. Pelo contrário, camisetas engraçadinhas, canecas, slogans, livros… fazem uso dos característicos vulcões islandeses como uma atração a mais do país. E nós tivemos a oportunidade raríssima de ver de perto um desses vulcões em plena erupção! Autorizações especiais nos levaram por estradas no meio do deserto e até bem próximo aos “portões do inferno”, ou do paraíso seria mais apropriado pela beleza da dança do magma explodindo pelos ares e da lava escorrendo pelo chão. Para fechar com chave de ouro: testemunhamos uma belíssima Aurora Boreal rasgando os céus de verde. Dois fenômenos dos mais raros da natureza em uma viagem de 5 dias. Tá bom, né?
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Completando a temporada, o destino seguinte foi a Ucrânia. Queríamos ver os dois lados da recente revolução no país e da guerra que segue rolando em algumas regiões do país. A Kyev mais aliada a Europa e os valores ocidentais, e a Crimeia, recém anexada a Rússia com muito orgulho, com muito amor. Conversamos com gente que viu de perto os manifestantes lutando e sendo mortos às centenas por snipers em pleno centro da capital ucraniana, a agora famosa Maidan Square (#EuroMaidan) e andamos por essas ruas que até hoje carregam as cicatrizes desses violentos confrontos. Fomos então para a Crimeia onde nos alertavam dos riscos de violência, espionagem, instabilidade e confusão e na verdade vimos uma península pacata e muito evoluída que simplesmente identifica nos valores culturais e na sociedade russa a sua própria identidade. 
 
Para variar, mais uma aula de história, cultura, política e vida. In loco, e ao vivo e a cores como deve ser. Viajar é a maior aula!