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Radio Rock

AS-Divulgação 1

O novo disco do Alabama Shakes já nasceu como um dos álbuns mais aguardados de 2015, por isso, expectativas não faltaram para “Sound & Color”. Depois de três anos de sua estreia com “Boys & Girls” (um disco que, apesar de brilhante, não foi unânime em arrancar paixões e elogios, mas que, sem dúvida, era impossível passar despercebido; pois qualquer um com, no mínimo, trezentos discos de bom rock na orelha, viria ali tudo de melhor que poderia estar acontecendo no rock contemporâneo). O primeiro single, Don’t Wanna Fight (Não quero lutar) já foi um alerta metafórico para um grupo que dispensa bobagens; eles vão na veia!

Nascido no meio do furacão, garotos simples, mas rodeados de excelentes sons de raízes e de princípios inalterados, apesar do lixo “internético” atual, deixaram os velhos e os novos de olhos brilhantes e de queixos caídos, citando grooves históricos de uma maneira inédita; nos primeiros 25 segundos da música, que incluiu o fantástico grito solto pela vocalista Brittany Howard que invocava James Brown (nada seria mais óbvio para este novo disco). Se David Ghrol se tornou o mais impressionante arqueólogo e pesquisador da música americana, o Alabama Shakes é renascentista nato; é preciso saber o que significa o “Fame Studio” e o “Muscle Shoals Sound Studio” se quiser entender o som da banda e qual a importância de tudo isto na música contemporânea, mas como sempre digo: “música não vem com bula”; então, deixe para os chatos as definições e caia na gandaia deste som maravilhoso!

Por outro lado, como sou o chato de plantão, farei um pequeno parêntese para contar um pouco desta história maravilhosa.   O “FAME (Florença Alabama Music Enterprises) Studios” está localizado em Muscle Shoals, uma área ao norte do Alabama conhecida como “The Shoals”. Fora do caminho dos principais locais de gravação da indústria da música americana, FAME produziu um grande número de discos de sucesso e foi fundamental para o que veio a ser conhecido como o “Muscle Shoals Sound”. Fundado por Rick Hall, Billy Sherrill e Tom Stafford no final de 1950, o estúdio gravou o primeiro disco de sucesso da área de Muscle Shoals: “You Better Move On”, de Arthur Alexander. Com isso, a fama sobre a sonoridade de Muscle Shoals começou a se espalhar e outros tipos de músicos começaram a vir até o local para gravar. Felton Jarvis, produtor de Nashville, trouxe Tommy Roe e gravou o hit  “Everybody”; Bill Lowery, da Atlanta Music Publisher, também começou a trazer vários nomes e passaram pelo estúdio Aretha Franklin e Wilson Pickett .Os músicos que trabalharam no estúdio ficaram  conhecidos como o “Muscle Shoals Horns” e o “Muscle Shoals Rhythm Section” (The Swampers). Em 1969, logo após o estúdio assinar um contrato com a CBS Records, os “Swampers” deixaram o estúdio para fundar um rival, a “Muscle Shoals Sound Studio”. Esta disputa só melhorou a qualidade de ambos e ajudou para mitificar ainda mais a região. Nomes que vão de Bob Dylan a Paul Simon passaram por lá, só para citar alguns; existem coletâneas e um documentário sobre o local; vale a pesquisa, portanto: fica a dica!

Sound and Color

Alabama Shakes é uma banda inclassificável; formada em Athens, Alabama em 2009. O grupo é composto pela vocalista e guitarrista Brittany Howard, pelo guitarrista Heath Fogg, o baixista Zac Cockrell e o baterista Steve Johnson.  A banda recebeu três indicações para o Grammy Awards 2013, de “Melhor Performance de Rock” para o single “Hold On” e do prêmio de “Melhor Gravação” do seu primeiro álbum, Boys & Girls. Chegou ao desafio do segundo disco e tirou de letra, como fica provado em uma audição atenta.

Agora, vamos sentir Sound And Color, faixa a faixa:

  1. Sound and Color – A faixa-título que abre o álbum, facilita o ouvinte para os caminhos da “soul music” que o grupo irá percorrer; o inusitado vibrafone em contraponto com notáveis sessões sutis de cordas é genial.
  2. Don’t Wanna Fight- O primeiro single com sucesso instantâneo, empatia imediata com os velhos adoradores e veículo para angariar novos fãs. Uma introdução ao funk, soul e groove. Dispensa maiores comentários.
  3. Dunes – Traz guitarras pesadas e retoma a visão que os britânicos tinham do R&B, com sutis toques psicodélicos.
  4. Future People, os silêncios criados pelos arranjos da música soul de Memphis, são outra referência notável por aqui em Future People, o órgão Hammond dispara gotas de emoção.
  5. Gimme All Your Love – se uma banda de “Southern Rock” futurista fosse tocar no “Filmore” teria que soar assim em uma cena de um “cult movie”.
  6. This Feeling – Britany é a melhor cantora da atualidade; isto está consagrado e atestado neste disco; haverá controvérsias, mas a história vai provar a verdade!
  7. Guess Who – a importância da música negra nos anos 60 foi abafada por inúmeros fatores, mas o preconceito foi o pior deles; visionários foram incorporaram à sonoridade de Beatles a Lady Gaga. Hoje o que o mundo ouve é a música negra americana; Guess Who mosta as lições desta cartilha: “Vovó viu a uva”.
  8. The Greatest – o minimalismo que surgiu a partir do resgate feito por Jack White é atestado e reverenciado aqui; economia com grandeza e o domínio da modernidade. A prova definitiva do porque do Alabama ser tão genial!
  9. Shoegaze – Sutilezas do “Swamp Rock” presentes aqui; o espírito roqueiro sobressai e era a hora em que o Creedence entrava na seleção do bailinho!
  10. Miss You – O blues balada que poucos conhecem no terceiro milênio; um lamento digno de um Otis Redding, com direitos as explosões emocionais, que proporcionam um orgasmo catártico; biscoito finíssimo!
  11. Gemini – Para quem acha que o “trip hop” foi algo moderno, um exemplo de que o soul psicodélico foi uma das coisas mais belas criadas na música; hora de saber quem foram The Chambers Brothers, Sly & the Family Stone, Curtis Mayfield ou mesmo Jimi Hendrix.
  12. Over My Head – Um resumo desta viagem; a ousadia de criar um disco conceitual (mesmo sem ser) na era do single; essa é para deixar sem fôlego; os músicos visionários do céu que nos deixaram cedo, devem ter mandado seus arranjos não terminados aqui para os caipiras do Alabama; bem-vindos a uma nova era da música.

http://www.alabamashakes.com/

fERNANDA takai

Com certeza no idiossincrático mundo das listas de melhores discos do ano, um fato devera ser unanime, cinco mulheres deverão aparecer na maioria destas listas. E com certeza vale muito a pena ouvir o que estas meninas estão dizendo em suas composições…

Mas que são elas?

Brody Dalle – ‘Diploid Love’

A australiana Brody Dalle ficou famosa por liderar a competente banda The Distillers, e mais tarde, outra banda de destaque no cenário  alternativo, Spinnerette. Pode ser um detalhe, mas ela é casada com um dos nomes mais influentes e criativo do rock atual, Josh Homme, líder do grupo Queens Of  Stone Age, e critico feroz da musica contemporânea  descartável, se ela convenceu Homme já um bom caminho andado no cenário do rock. Brincadeiras sexistas a parte, Brody estreou em carreira solo este ano com álbum, Diploid Love , produzido por Alain Johannes, lançado em  de fevereiro de 2014, teve como  primeiro single a impactante, “Meet the Foetus / Oh the Joy”, com participação especial de Shirley Manson, vocalista da banda Garbage. O disco traz as nove faixas que podem representar um kit de sobrevivência da musica pop do século 21, surpreendendo com um “hardcore  fluente”, futurista e com pitadas retrô ao mesmo tempo; uma delicia para noites de balada.

Tune-Yards – ‘Nikki Nack’

Tune-Yards é um projeto musical da multi-instrumentista e compositora americana,  Merrill Garbus.  Seu primeiro disco Bird Brains, em 2009,  teve sua primeira tiragem lançada em Fitas Cassete recicladas e depois uma versão em Vinil, o que já chamou a atenção do antenados; o segundo disco, “Whokill” lançado em abril de 2011, consagrou Garbus em termos críticos. Neste ano, ‘Nikki Nack’ sela definitivamente o talento desta banda projeto.  No seu terceiro trabalho,  definido como uma música bem humorada, aparece um  ativismo sonoro são incorporados elementos de jazz  e blues, mas sua criatividade é explicita um álbum para se ouvir de tarde, ou em um fim de semana!

Sharon Van Etten – ‘Are We There’

Esta cantora e compositora americana, nascida em New Jersey,  nasceu em uma família que valoriza as artes, teve a sorte de crescer rodeado por uma enorme coleção de disso de vinil, e junto de seus quatro irmãos cresceu em um ambiente musical onde a brincadeira predileta era todos os irmãos fingirem que eram membros de uma banda de sucesso. Depois de tantas brincadeiras, Sharon aprendeu sozinha a tocar violão e  começou a escrever músicas. Na época do colégio, ela ainda da os créditos de ter aprendido sofisticadas harmonias vocais no coro da escola, pois na 6ª série, fez parte de um coral chamado “The Mini Singers”. Seu primeiro disco oficial, “Because I Was in Love” saiu em 2009, e dois outros álbuns solidificaram sua carreira: Epic (2010) e Tramp (2012). Neste ano com o lançamento de “Are We There”, ele muda o rumo de sua carreira, mais crua, revela  sua realidade  de uma forma do que vive no presente ao contrario de suas outras narrativas que falavam de experiências passadas, um disco atual que pode ser um ótimo companheiro para uma noite de insônia!

St. Vincent  – St. Vincent

Erin “Annie” Clark é mais conhecida pelo seu nome artístico de St. Vincent, cantora, compositora e multi-instrumentista e. Ela começou sua carreira musical como membro dos grupos The Polyphonic Spree e Sufjan Stevens, antes de criar est seu  próprio projeto  em 2006. Sua discografia é composta por, seu álbum de estreia, Marry Me (2007), seguido por Actor (2009) e Strange Mercy (2011). Ela ainda lançou um álbum junto de David Byrne (Talking Heads) em 2012 intitulado  ”Love This Giant”.  Neste ano se consagra com Seu quarto álbum solo, autointitulado St. Vincent, para muitos críticos já foi considerado o disco do ano. Sua presença no placo é hipnótica e sua musica rejeita rótulos; music a para ouvir a qualquer hora do dia ou de noite, mas sempre com muita atenção e de preferência com fones de ouvido de alta definição.

EMA – ‘The Future’s Void’

Erika M. Anderson, mais conhecida pelo seu nome artístico de “EMA”, é outra cantora e compositora americana que vem de South Dakota. Originalmente, foi a vocalista da cultuada banda “Gowns” que pertencia ao movimento do chamado  “Drone-Folk” um estilo que usa estrutura repetitiva e mínima do estilo Drone, com elementos e instrumentação Folk. Sua discografia solo é composta por Little Sketches on Tape (2010)m Past Life Martyred Saints (2011) e The Future’s Void lançado este ano. The Future’s Void é um disco que discute o papel da tecnologia atual em nossas vidas, um mix de “noisy- pop” com psicodelia, pilotado por um artista charmosíssima, para ser ouvido a partir do cair da tarde e sem hora para parar de ouvir.

E para dizer que não falei das flores… Aqui estão as brasileiras

No Brasil as mulheres também tem feito a grande diferença, infelizmente os reality-calouros, os programas “caça talentos” e os, viciados, prêmios da “nova” musica brasileira, que provocam uma emoção tão artificial como uma comercial do “american way of life” dos anos 50, passam ao largo das meninas que poderiam injetar mais energia por aqui. Elas estão no underground emocionam muita gente, mas mereciam muito mais!

Vou começar por Érika Martins , apesar de uma longa carreira, não tem ainda o reconhecimento merecido, lançou este ano um dos melhores discos brasileiros dos últimos tempos “Modinhas” um conceito seríssimo que precisava  ser no mínimo tocado nas rádios. Fernanda Takai nos brindou com disco, “Na Medida do Impossível” que concilia o inconciliável, incrível! No quesito bandas, não deixe de experimentar o “garagem iê iê iê” das Radioativas, o “pop metal” da Constantine e o “hard cabeça” da Mafalda  Morfina! Muita coisa boa, só falta aparecer mais na midia!

Feliz 2015!

Descubra mais aqui:

http://modinhasdaerika.wordpress.com/

http://fernandatakai.com.br/

https://www.facebook.com/asradioativas

http://www.constantinerock.com.br/

http://mafaldamorfina.com.br/